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Moraes confirma que Bolsonaro orquestrou divulgação de carta política por Flávio nas redes

Ministro Alexandre de Moraes concluiu que Jair Bolsonaro tinha conhecimento prévio da divulgação de sua carta nas redes sociais por Flávio. A decisão mantém a prisão domiciliar, mas impõe novas restrições ao ex-presidente durante o período eleitoral.

Em decisão divulgada nesta sexta-feira (17), o ministro do Supremo Tribunal Federal rejeitou a defesa de Bolsonaro e reconheceu que o documento tinha finalidade político-eleitoral. A conclusão de Moraes é clara: não há como separar a elaboração da carta de sua divulgação pública nas redes sociais.

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Ministro Alexandre de Moraes mantém prisão domiciliar de Bolsonaro, mas impõe novas restrições | Foto: Luiz Silveira/STF

A defesa de Bolsonaro argumentava que o ex-presidente não sabia que a carta seria publicada. Moraes descartou essa versão como “não plausível” e “absolutamente contraditória aos fatos”. O ministro destacou que o próprio conteúdo do documento prova a intenção de comunicação pública: a carta é dirigida “aos brasileiros”, apresenta Flávio como “porta-voz” e convoca apoiadores a trabalharem pela pré-candidatura presidencial do senador.

O papel de Flávio Bolsonaro foi determinante na análise. Moraes reproduziu na decisão o vídeo publicado pelo senador antes da leitura da carta, no qual afirma ter acabado de sair da casa do pai e convida seguidores para acompanhar “um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação”. Depois, durante a transmissão, Flávio anuncia que o documento seria disponibilizado nas redes sociais. Para o ministro, essas declarações reforçam que Bolsonaro tinha ciência total da divulgação.

A decisão acompanha integralmente o parecer apresentado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. A PGR afirma que o documento foi entregue pessoalmente por Bolsonaro ao filho justamente para alcançar um público amplo durante o período pré-eleitoral. O texto declara apoio explícito à pré-candidatura presidencial de Flávio e conclama apoiadores a fazerem o mesmo, enquadrando-se exatamente na proibição imposta pelo STF de comunicação por intermédio de terceiros.

Bolsonaro está proibido desde 2025 de utilizar redes sociais “diretamente ou por intermédio de terceiros”. O STF já havia esclarecido que essa vedação também alcança a utilização de “material pré-fabricado” destinado à divulgação por outras pessoas. Foi exatamente isso que ocorreu no episódio da carta.

Novas restrições durante o período eleitoral

Apesar de reconhecer o descumprimento das restrições, Moraes decidiu não revogar a prisão domiciliar humanitária. O ministro observou que este foi o primeiro descumprimento desde o início da execução definitiva da pena e avaliou que o retorno imediato ao regime fechado seria desproporcional diante das razões humanitárias que motivaram a concessão do benefício.

Como punição, Moraes determinou a suspensão, por 30 dias, do direito de Bolsonaro receber visitas comuns, mantendo apenas as visitas de médicos, fisioterapeutas e advogados. Flávio Bolsonaro continua submetido à suspensão específica de visitas por 90 dias, determinada anteriormente.

O ministro criou duas novas restrições para o período eleitoral: proibiu visitas com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições de 2026 e vedou a divulgação de manifestos político-eleitorais, inclusive por terceiros e independentemente do meio utilizado. Moraes fez um alerta de que o cumprimento rigoroso dessas condições será determinante para a manutenção da prisão domiciliar humanitária. Qualquer novo descumprimento poderá resultar na revisão do benefício e até mesmo no retorno de Bolsonaro ao regime fechado.

Destaques do Conhecimento

  • Moraes concluiu que Bolsonaro tinha conhecimento prévio da divulgação da carta nas redes sociais por Flávio
  • A decisão reconhece que o documento tinha finalidade político-eleitoral e viola as restrições impostas ao ex-presidente
  • Prisão domiciliar é mantida, mas com novas restrições: suspensão de visitas por 30 dias e proibição de manifestos político-eleitorais até o fim das eleições de 2026

Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Equipe Perus Online