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Tarifas dos EUA ameaçam empregos em São Paulo: calçados, máquinas e etanol sofrem impacto

Tarifas de 25% dos EUA entram em vigor no dia 22 e ameaçam demissões em setores-chave de São Paulo. Calçados, máquinas e etanol são os mais afetados, com perdas que podem chegar a bilhões.

A nova sobretaxa americana anunciada pela Casa Branca na quarta-feira (15) já aciona alarmes em indústrias brasileiras. Com a tarifa de 25% se somando aos 10% que já incidiam sobre produtos brasileiros, o total chega a 35% — um patamar que inviabiliza a maioria das exportações para o mercado norte-americano.

Para São Paulo, o impacto é direto. O interior paulista concentra grande parte da produção de calçados do país, assim como fábricas de máquinas e equipamentos. A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) projeta queda de 7,1% nas exportações totais de calçados, com perdas de competitividade frente a produtos de outros países.

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Porto de Santos: principal via de exportação de produtos brasileiros afetados pelas tarifas

Neste ano, o setor calçadista já exportou apenas US$ 85 milhões (R$ 431 milhões) aos EUA — uma queda de 23% ante 2025. Com a nova tarifa, empresas de regiões como o interior de São Paulo e Rio Grande do Sul enfrentarão pressão para demitir funcionários.

A indústria de máquinas também sofre. Os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos: cerca de US$ 3,2 bilhões (R$ 16,2 bilhões) em 2025. A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) alerta que a tarifa aumenta a incerteza no comércio bilateral e pode elevar custos, reduzir competitividade e comprometer investimentos.

O etanol também enfrenta pressão. A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) criticou a tarifa adicional, argumentando que a política brasileira está conforme as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio).

No primeiro semestre de 2026, 20 dos 27 estados brasileiros já registraram queda nas exportações para os EUA. As vendas do Brasil ao país recuaram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões (R$ 13,1 bilhões), na comparação com o mesmo período de 2025.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) avalia que a sobretaxa tende a ampliar as perdas já registradas. A entidade afirma que a nova medida aumenta a insegurança para empresas dos dois países e pede esforços para reverter a decisão.

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) classificou o novo tarifaço como “especialmente prejudicial”, atribuindo a retaliação a uma condução diplomática do governo brasileiro que, segundo a federação, privilegiou “ruídos diplomáticos” e desalinhamento político com Washington.

Destaques do Conhecimento

  • Tarifa de 25% se soma aos 10% anteriores, totalizando 35% de sobretaxa sobre produtos brasileiros
  • Setor calçadista projeta queda de 7,1% nas exportações totais, com perdas de competitividade
  • Interior de São Paulo e Rio Grande do Sul sofrerão impacto nas vendas e podem precisar demitir funcionários
  • EUA são principal destino de máquinas brasileiras: US$ 3,2 bilhões (R$ 16,2 bilhões) em 2025
  • No primeiro semestre de 2026, 20 dos 27 estados já registraram queda nas exportações para os EUA
  • Vendas do Brasil aos EUA recuaram 13%, equivalente a US$ 2,6 bilhões (R$ 13,1 bilhões)

Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online