O ministro Alexandre de Moraes suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai, ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, que afeta a campanha presidencial do pré-candidato, ocorre após a divulgação de uma carta manuscrita do ex-presidente nas redes sociais.
Em decisão divulgada nesta segunda-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que Flávio Bolsonaro não poderá visitar o pai durante os próximos 90 dias. A medida foi motivada pela leitura pública de uma carta manuscrita de Jair Bolsonaro, que ocorreu em uma transmissão ao vivo no último sábado. Na correspondência, o ex-presidente manifestava apoio explícito à pré-candidatura do filho à Presidência da República.

Para Moraes, a ação de Flávio configurou desrespeito a uma medida cautelar que proíbe Bolsonaro de usar redes sociais, seja diretamente ou por intermédio de terceiros. O ministro argumentou que houve “ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita”. A decisão também aponta possível propaganda eleitoral antecipada, com pedido explícito de voto, levando Moraes a encaminhar o caso ao Ministério Público Eleitoral para investigação.
A suspensão das visitas ocorre em momento crítico para a campanha de Flávio. O senador está em fase de negociação com partidos do centrão, como União Brasil, PP e Republicanos, para montar as chapas estaduais antes das convenções partidárias. O acesso direto ao pai era fundamental para essas articulações políticas.
Moraes também apontou que Flávio é “reincidente em sua conduta desrespeitosa” às decisões judiciais. O ministro citou um episódio anterior, em agosto de 2025, quando o senador divulgou nas redes sociais a participação de Bolsonaro em manifestações no Rio de Janeiro por telefone. Horas depois, Flávio apagou o vídeo alegando “insegurança jurídica”.
A defesa de Flávio Bolsonaro, representada pelo advogado Tracy Reinaldet, anunciou que recorrerá da decisão. Segundo o defensor, Moraes desrespeitou a Lei de Execução Penal, o Estatuto da Advocacia e a Constituição Federal. Reinaldet argumenta que a decisão retira direitos fundamentais do preso, como receber visitas de familiares e manter comunicação com o mundo exterior. Ele também ressalta que Flávio é advogado do pai e, portanto, tem direito a se comunicar com seu representado.
Destaques do Conhecimento
- Ministro Alexandre de Moraes suspendeu visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias
- Suspensão foi motivada pela leitura pública de carta manuscrita de Bolsonaro nas redes sociais
- Decisão afeta negociações de Flávio com partidos do centrão para montar chapas estaduais
- Moraes apontou reincidência de Flávio em desrespeitar decisões judiciais
- Defesa de Flávio anunciou recurso, argumentando violação de direitos constitucionais
Fonte original: UOL | Adaptação: Equipe Perus Online



































