Denúncia de Irregularidades em Consulta Pública sobre Incinerador em Perus
A comunidade de Perus, localizada na zona noroeste de São Paulo, enfrentou uma situação de exclusão e manipulação durante audiência consultiva realizada pela administração municipal e estadual. O evento, destinado a debater a implantação de uma Unidade de Recuperação de Energia (URE) Bandeirantes, apresentou sinais claros de interferência externa e recrutamento de participantes de fora da região para desarticular a mobilização local contrária ao empreendimento.
Investigações revelaram que indivíduos não identificados como residentes de Perus foram transportados em ônibus até o Centro Educacional Unificado (CEU) Perus, no bairro Vila Fanton, onde ocuparam os primeiros lugares e se inscreveram para discursar, impedindo que moradores legítimos pudessem expressar suas preocupações. Um depoente confirmou ter recebido compensação financeira para participar da audiência fingindo ser habitante local, explicando que integra grupos especializados em formar públicos para programas televisivos. Segundo relatos, havia coordenação de um responsável que orientava as reações esperadas em cada momento da sessão, sinalizando quando manifestar concordância ou desaprovação.
A capacidade máxima do teatro foi atingida, deixando aproximadamente 500 moradores genuínos impossibilitados de entrar. Autoridades municipais e estaduais instalaram dois monitores na entrada, mas o espaço permaneceu insuficiente, resultando em famílias, incluindo crianças, aguardando sob chuva. Agentes da Guarda Civil Metropolitana posicionaram-se externamente com equipamentos de proteção, chegando a impedir pronunciamentos de vereadores. Lideranças indígenas guarani mbya, cujo território ancestral em Jaraguá (criado em 1948 como distrito derivado de Perus) justificava sua participação, conseguiram acesso apenas após insistência.
Especialistas locais, como o engenheiro químico Mario Bortoto e a consultora ambiental Thais Santos, argumentam que a tecnologia proposta é obsoleta em contextos internacionais e geraria impactos significativos: emissão de cinzas tóxicas, intenso fluxo de caminhões na região, e agravamento de problemas sanitários em uma população já carente de infraestrutura adequada. A comunidade propõe alternativa: transformar a área em Território de Interesse de Cultura e Paisagem Jaraguá-Perus-Anhanguera, expandindo modelo de turismo sustentável já desenvolvido localmente.
Destaques do Conhecimento
- Recrutamento de pessoas de fora de Perus para manipular resultado de audiência pública sobre incinerador em São Paulo
- Aproximadamente 500 moradores genuínos foram impedidos de participar por falta de espaço no CEU Perus
- Testemunha confirmou recebimento de pagamento para fingir ser residente e seguir orientações de coordenador
- Tecnologia URE Bandeirantes é considerada ultrapassada internacionalmente e geraria emissões tóxicas
- Comunidade de Perus propõe modelo alternativo de desenvolvimento baseado em turismo sustentável e preservação cultural
- Lideranças indígenas guarani mbya também foram afetadas pela exclusão, apesar de direito territorial histórico
Adaptação e reescrita original de conteúdo publicado pela Agência Brasil em 02/04/2026. Imagem: Distrito de Perus, zona noroeste da capital paulista. © Rovena Rosa/Agência Brasil






































