Moradora da Brasilândia, zona norte de São Paulo, Karina Gama expandiu seus negócios de forma acelerada após conhecer o deputado Mario Frias em 2020. Agora sob investigação da Polícia Civil, a empresária é apontada como responsável por desvios de verba municipal destinada a comunidades carentes.
Karina Gama, 47 anos, saiu da Brasilândia para administrar seis empresas espalhadas por diferentes estados. Sua trajetória profissional mudou drasticamente a partir de 2020, quando conheceu Mario Frias (PL-SP), ex-ator global que assumiu a secretaria de Cultura no governo Bolsonaro. Desde então, suas empresas passaram a receber contratos milionários do campo político conservador.

O maior contrato veio de um chamamento público de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para fornecer wi-fi a comunidades carentes. Esse acordo está sob investigação do Ministério Público e da Polícia Civil, que realizou operação nos endereços ligados a Karina na segunda-feira (1º de junho). Para quem vive na zona noroeste, essa verba deveria chegar aos bairros periféricos como Perus, Anhanguera e Jaraguá, regiões que sofrem com falta de conectividade digital.
Antes de 2020, Karina era uma assalariada comum, com renda que não ultrapassava R$ 25 mil mensais. Formada em jornalismo pela Unip, ela atuava como secretária-executiva e presidia associações privadas. Sua primeira empresa, a K F da Gama Produções, foi aberta em 2005 com capital de apenas R$ 1 mil.
A transformação começou quando ela mudou o tipo jurídico de sua empresa em 2020, apresentando indícios de aumento da capacidade econômica operacional. No mesmo ano, fundou a Academia Nacional de Cultura (ANC), que recebeu emendas de parlamentares bolsonaristas. Um ano depois, abriu a Go Up, produtora do filme “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro, que não possui filmes registrados na Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Apesar de administrar valores milionários, Karina não possui imóveis registrados em seu nome. Ela tentou requerer a concessão de uso de uma casa na Brasilândia por um programa para pessoas de baixa renda, mas o pedido foi indeferido. Com seu ex-marido Wemerson Marinho, firmou contrato em 2023 para comprar uma casa de mais de R$ 2 milhões em Santana de Parnaíba, mas deixou de pagar as parcelas no ano passado. O caso está na Justiça.
Em 2025, Karina lançou a Connect Faith, uma feira de fé e tecnologia que foi adiada duas vezes antes de estrear com corredores vazios. O evento, realizado na Expo Center Norte, teve como apresentação principal show do cantor gospel Kirk Franklin, com ingressos de R$ 300 a R$ 500. A Prefeitura de São Paulo cobriu R$ 3,5 milhões de despesas da feira via Secretaria Municipal de Turismo.
Em fevereiro de 2026, Karina expandiu ainda mais seu território de atuação, abrindo a Gama Participações Ltda em Aracaju (SE), com atividades de holding de instituições não-financeiras. No mesmo mês, entrou como sócia da Upcon Serviços Especializados Ltda, voltada à construção de edifícios, com sede em Salvador (BA).
Karina é evangélica desde os 16 anos e frequentadora do Templo de Salomão na Igreja Universal. Ela afirma que seu interesse por projetos sociais veio da religião, o que a levou a atuar no Instituto Conhecer Brasil, do qual é presidente. O instituto recebeu dinheiro de emendas de Frias para projetos envolvendo letramento digital e esportes.
Nem Karina nem Mario Frias responderam aos contatos da reportagem sobre a ascensão dos negócios desde que se conheceram. Frias nega qualquer irregularidade com dinheiro público nas transações feitas para as empresas de Karina.
Destaques do Conhecimento
- Karina Gama, moradora da Brasilândia, expandiu negócios de forma acelerada após conhecer o deputado Mario Frias em 2020
- Suas empresas receberam contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para wi-fi em comunidades carentes, agora sob investigação
- Antes de 2020, Karina era assalariada com renda inferior a R$ 25 mil mensais; hoje administra seis empresas em diferentes estados
- A Polícia Civil realizou operação nos endereços ligados a Karina em 1º de junho de 2026
- Apesar de administrar valores milionários, Karina não possui imóveis registrados em seu nome
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online






































