Em três anos, Brasil terá mais idosos que crianças. Pressão no INSS cresce e mercado de trabalho precisa absorver trabalhadores com 60+ anos para manter a economia de pé.
O Brasil está passando por uma transformação demográfica acelerada que vai mexer no bolso de quem trabalha em São Paulo e na Zona Noroeste. Em cerca de três anos, o número de pessoas com 60 anos ou mais deve ultrapassar o de crianças e adolescentes com até 14 anos. Isso significa mais aposentados dependendo do INSS e menos jovens contribuindo para o sistema.
Hoje, o Brasil gasta 8,26% do PIB apenas com benefícios do INSS. O déficit deve fechar 2026 em R$ 338,6 bilhões. Se nada mudar, em 2070 essa despesa vai consumir 13,26% do PIB. Para quem trabalha nas periferias de São Paulo e região, isso pode significar pressão por novas reformas previdenciárias e mudanças nas regras de aposentadoria.

A solução que especialistas apontam é clara: os mais velhos precisam continuar trabalhando. Dados mostram que 1 a cada 4 pessoas acima de 60 anos está ocupada no Brasil. Entre os homens acima de 70 anos, 15,7% ainda trabalham. O rendimento médio desse grupo é 14,6% superior ao da população geral, o que ajuda a sustentar economias locais.
Mas há um problema grave: o etarismo. Pesquisas indicam que 78% das empresas evitam contratar profissionais com mais de 50 anos, independentemente da qualificação. Isso cria uma barreira invisível que afeta principalmente quem mora em periferias e não tem redes de contato privilegiadas.

Para quem vive em Perus, Anhanguera ou Jaraguá, a realidade é ainda mais dura. A informalidade atinge 50% dos ocupados no Brasil. Sem acesso estável ao mercado formal e à Previdência, cresce o risco de envelhecimento com menos segurança econômica. Profissões ligadas ao cuidado—fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia—são grandes oportunidades, mas exigem qualificação que nem sempre está acessível.
Especialistas apontam que o país precisa investir em educação contínua e flexibilidade profissional. Manter a população mais velha trabalhando será um requisito fundamental. Mas isso só funciona se houver empregabilidade real, qualificação e proteção social—não apenas aumentar a idade mínima de aposentadoria por decreto.
A pressão também vai aparecer nas contas públicas municipais. Com mais idosos, cresce a demanda por serviços de saúde, transporte adaptado e políticas sociais. Na Zona Noroeste, onde a população envelhece rapidamente, isso pode significar mais pressão nos postos de saúde e nas linhas de ônibus já saturadas.
Destaques do Conhecimento
- Em 2029, Brasil terá mais idosos (60+) que crianças e adolescentes (0-14 anos): 40,1 milhões vs 39,2 milhões
- Déficit do INSS em 2026: R$ 338,6 bilhões; em 2070 pode chegar a 13,26% do PIB se não houver mudanças
- Hoje há 2 contribuintes para cada aposentado; em 2050, será apenas 1 contribuinte por aposentado
- 1 em cada 4 pessoas acima de 60 anos está ocupada no Brasil; rendimento médio é 14,6% superior ao da população geral
- 50% dos ocupados no Brasil estão na informalidade, sem proteção previdenciária adequada
- Profissões de cuidado (fisioterapia, fonoaudiologia) são oportunidades de crescimento para absorver trabalhadores mais velhos
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online







































