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Bolsonaro e crime organizado: relembre os casos que ligam a família a suspeitos de milícia e PCC

Família Bolsonaro manteve relações com acusados de envolvimento em crime organizado, milícias e facções criminosas no Rio de Janeiro, enquanto celebra classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA.

A contradição é evidente: enquanto o senador Flávio Bolsonaro comemora a decisão americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, a história política da família revela uma série de aproximações com suspeitos de participação em atividades criminosas, especialmente ligadas às milícias do Rio de Janeiro.

Para quem vive em São Paulo e acompanha a segurança pública, essa notícia reforça o debate sobre como diferentes grupos políticos lidam com o crime organizado. A expansão do PCC e do CV também afeta a Zona Noroeste, com reflexos na mobilidade urbana e na segurança das comunidades de Perus, Anhanguera e Jaraguá.

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Jair Bolsonaro (à direita) com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em evento de 2019

Os casos que ligam a família ao crime organizado

Homenagem a miliciano: Em 2005, Flávio e Jair Bolsonaro visitaram o ex-policial militar Adriano da Nóbrega na cadeia e lhe entregaram a Medalha Tiradentes, honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Rio. Nóbrega era apontado pelo Ministério Público como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo de extermínio Escritório do Crime. Ele foi morto em operação da Polícia Militar da Bahia em 2020.

Empregos para parentes de miliciano: Flávio garantiu emprego na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) para Raimunda Veras Magalhães (mãe de Nóbrega) e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega (esposa do miliciano). Ambas recebiam salários superiores a R$ 6 mil e, segundo o Ministério Público, estavam envolvidas em esquema de “rachadinha”, onde parte do salário era devolvida ao político. Danielle repassou ao menos R$ 150 mil a Fabrício Queiroz, assessor de Flávio, sendo R$ 115 mil transferidos por contas bancárias controladas por Adriano da Nóbrega.

Defesa de milícias: Em 2018, Jair Bolsonaro defendeu as milícias, afirmando: “Naquela região onde a milícia é paga, não tem violência”. Flávio também minimizou a gravidade das organizações criminosas, chamando-as de “nova forma de policiamento” em discurso na Alerj em 2007.

Seguranças acusados de crime: Em agosto de 2018, a Operação Quarto Elemento prendeu os gêmeos Alan e Alex Rodrigues Oliveira, policiais militares suspeitos de participar de quadrilha especializada em extorsões. Os dois teriam integrado a segurança da campanha de Flávio ao Senado naquele ano. Eles são irmãos de Valdenice de Oliveira Meliga, que foi assessora da liderança do PSL na Alerj.

Aliança com Rodrigo Bacellar: O ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar estreitou laços com a família Bolsonaro a partir de 2024, recebendo uma medalha do clã. Posteriormente, Bacellar foi preso por suspeita de participar de organização criminosa e vazar informações para beneficiar o Comando Vermelho.

Contato com ex-banqueiro acusado de fraude: Áudio divulgado pelo site The Intercept Brasil revelou que Flávio mantinha contato com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro acusado de crimes envolvendo fraudes do Banco Master, incluindo organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Vorcaro combinou o pagamento de R$ 134 milhões para o filme “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro, e Flávio reconheceu ter cobrado parcelas restantes. A fraude do Master gerou prejuízo de pelo menos R$ 41 bilhões ao sistema financeiro nacional.

Destaques do Conhecimento

  • Flávio Bolsonaro homenageou com Medalha Tiradentes o ex-policial Adriano da Nóbrega, apontado como integrante de milícia e grupo de extermínio no Rio de Janeiro
  • Parentes de Nóbrega foram empregados no gabinete de Flávio e estavam envolvidos em esquema de “rachadinha”, com transferências bancárias por contas do miliciano
  • Jair Bolsonaro defendeu publicamente as milícias em 2018, afirmando que regiões com presença delas tinham menos violência
  • Seguranças acusados de participar de quadrilha criminosa integraram a campanha de Flávio ao Senado em 2018
  • Flávio mantinha contato com ex-banqueiro acusado de fraudes bilionárias e lavagem de dinheiro

Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online