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Perus em Movimento: Coalizão de Movimentos Sociais Ocupa Ruas Contra Incinerador de Lixo

Neste sábado, 6 de junho, Perus será palco de grande mobilização popular contra a instalação de incinerador de lixo na região noroeste de São Paulo. MST, povos indígenas, catadores e moradores se unem em ato que marca a Jornada Nacional em Defesa da Natureza.

Perus viverá um sábado de resistência e luta pela preservação ambiental. A partir das 9 da manhã, na Praça Inácia Dias, em frente à Estação Perus da CPTM (linha 7), uma ampla frente de movimentos sociais, coletivos comunitários e povos originários ocupará as principais vias do bairro para manifestar contrariedade ao projeto de construção de uma unidade incineradora de resíduos sólidos.

A mobilização reúne forças diversas: o movimento local “Incinerador de Lixo em Perus, Não!”, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), o MNCR (Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis), o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e dezenas de organizações populares comprometidas com a defesa socioambiental.

A presença do povo Guarani é fundamental nesta coalizão. O Pico do Jaraguá, território indígena ancestral, localiza-se nas proximidades da área onde se pretende instalar o incinerador, expondo a população originária aos riscos de contaminação e degradação de seu habitat.

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Reunião preparatória na Comuna da Terra Irmã Alberta. Foto: Marcos Morcego

O ato integra a Jornada Nacional em Defesa da Natureza e seus Povos, iniciativa do MST que ocorre entre 1º e 7 de junho em todo o país. Sob o lema “Combater o agronegócio é cuidar da natureza!”, a jornada busca mobilizar bases para ações de proteção ambiental e denunciar os responsáveis pela exploração predatória dos recursos naturais e seus impactos nas comunidades tradicionais.

Luciano Carvalho, integrante da Direção Estadual do MST, contextualiza a luta: o projeto do incinerador exemplifica a estratégia de concentração de poluição nas periferias. Enquanto áreas abastadas recebem investimentos em qualidade ambiental, territórios pobres e populações vulneráveis absorvem os passivos ambientais do modelo econômico vigente. A frente unida de indígenas, sindicatos, movimentos sociais, camponeses e catadores representa a recusa coletiva a essa injustiça ambiental.

A indignação da população perusense é legítima: não houve consulta prévia aos moradores sobre a implementação do projeto. O incinerador se localizaria próximo à Comuna da Terra Irmã Alberta (assentamento do MST) e ao Refúgio da Vida Silvestre do Parque Anhanguera, comprometendo ecossistemas frágeis e a qualidade de vida de milhares de pessoas.

Situação similar ocorre em São Mateus, na zona leste paulistana, onde a prefeitura planeja ampliar o aterro sanitário existente, exigindo a derrubada de aproximadamente 63 mil árvores e prejudicando o Parque Natural Cabeceiras do Aricanduva. Os moradores de São Mateus já sofrem com odores desagradáveis e doenças relacionadas à poluição ambiental crônica.

A Comuna da Terra Irmã Alberta representa uma alternativa concreta ao modelo destrutivo. Único assentamento do MST na capital paulista, o território resiste há mais de duas décadas no bairro de Perus, transformando uma área que seria lixão em espaço de produção agroecológica, cultura e convivência comunitária.

Há 23 anos, o capital pretendia converter aqueles 115 hectares de mata atlântica em depósito de resíduos. A organização popular e o apoio comunitário permitiram outra destinação: hoje, as famílias cultivam frutas, hortaliças, leguminosas, raízes, temperos e bebidas artesanais, fornecendo alimentos livres de agrotóxicos à população trabalhadora da metrópole.

O território abriga a Escola Popular de Agroecologia (EPA), o Território Cultural Okaracy (ligado à Cia de Teatro Antropofágica) e a Ciranda Luiz Beltrame. Esses espaços funcionam como centros de formação em práticas agroecológicas, apresentações artísticas e educação infantil comunitária, demonstrando que a reforma agrária popular potencializa arte, cultura e conhecimento.

A história de Perus é de resistência vitoriosa contra a degradação. O ato de sábado reafirma: a população não permitirá que seu território seja transformado em depósito de poluição. A luta continua.

Destaques do Conhecimento

  • Mobilização unificada de MST, povos Guarani, catadores e movimentos sociais contra incinerador em Perus no sábado, 6 de junho, às 9h na Praça Inácia Dias
  • Comuna da Terra Irmã Alberta: 23 anos de resistência transformando 115 hectares de mata atlântica em assentamento agroecológico, cultural e educativo
  • Injustiça ambiental: concentração de poluição em periferias (Perus e São Mateus) enquanto áreas abastadas recebem investimentos em qualidade ambiental

Fonte original: MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) | Adaptação: Equipe Perus Online