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Investigação aponta fraudes em programa de Wi-Fi da Prefeitura de SP operado por ONG ligada a filme de Bolsonaro

Programa de Wi-Fi da Prefeitura de SP tem pontos inexistentes e falta de sinalização. Investigação aponta sobrepreço e possível desvio de recursos para produção cinematográfica.

A Polícia Civil e o Ministério Público investigam irregularidades no contrato de Wi-Fi Livre da Prefeitura de São Paulo. O programa, operado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma ONG ligada à produtora do filme “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro, apresenta problemas graves: pontos de internet que não existem, falta de sinalização e equipamentos instalados a poucos metros uns dos outros.

A ONG foi contratada em 2024 por R$ 108 milhões para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi gratuito na periferia até junho de 2025. Até agora, apenas 3.200 foram instalados. A empresa é de propriedade de Karina Ferreira da Gama, mesma responsável pela produtora que realiza o filme sobre o ex-presidente.

Reportagem do G1 e TV Globo visitou dez endereços que constam da prestação de contas do ICB à Prefeitura. O resultado: pontos de Wi-Fi que não existem, equipamentos sem identificação e pessoas do bairro que não sabem que há internet gratuita disponível.

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Pontos sem identificação e perto uns dos outros na Praça Tomás Coelho de Almeida, no Jardim D’Abril, Zona Oeste de São Paulo

Endereços fantasmas e equipamentos invisíveis

Na Rua Manuel Martins Collaço, 250, no Jardim D’Abril (Zona Oeste), um ponto de Wi-Fi foi instalado ainda antes da eleição municipal de 2024. O dono da marcenaria local confirmou que o equipamento funciona perfeitamente, mas os moradores do bairro não sabem que existe. “O pessoal não sabe. Eles às vezes passam e perguntam: ‘Que trambolho que é esse aí?’, porque não sabem o que é”, relatou William Souza Ribeiro, que trabalha no local.

Clientes de um barbeiro vizinho também desconheciam a existência do Wi-Fi gratuito. “Não faço a menor ideia do que é aquele aparelho. Para mim, era qualquer coisa, menos sinal de Wi-Fi”, disse Bruno da Silva, barbeiro do local.

A reportagem também identificou três endereços que constam da lista de pagamentos da Prefeitura para a ONG, mas não têm nenhum ponto instalado:

  • Rua Solon, 819 (Bom Retiro): Prédio vazio desde outubro de 2025, em reforma para transformação em apartamentos.
  • Rua Eça de Queiroz, 154 (Ana Rosa): Número não existe na rua e não há sinal de Wi-Fi em nenhum trecho de 200 metros.
  • Rua Eça de Queiroz, 37: Número também não existe e sem sinal de Wi-Fi na região.
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Endereço da Rua Solon, 819, no Bom Retiro, onde deveria ter um ponto de Wi-Fi, mas só há um prédio fechado e em reforma

Investigação aponta sobrepreço e possível desvio de recursos

A Polícia Civil e o Ministério Público investigam suspeitas de “possível direcionamento do chamamento público, ausência de capacidade técnica da entidade contratada, suposto sobrepreço nos valores pagos pela Administração Municipal, antecipação de repasses públicos e pagamentos por serviços supostamente não executados”.

Segundo a investigação, há também suspeitas de “pulverização dos recursos públicos por meio de subcontratações com empresas privadas, além de possível utilização de valores oriundos do contrato público para financiamento de produção cinematográfica vinculada à investigada Karina Gama”.

Cada ponto de Wi-Fi custa R$ 1.280,80 por mês para manutenção e operação. Com 3.200 pontos, o valor mensal é de aproximadamente R$ 4 milhões. A Prefeitura afirma que o valor é inferior às propostas de empresas privadas em 2022, que variavam entre R$ 2.026,26 e R$ 5.092,14 por ponto.

Impacto na Zona Noroeste e mobilidade urbana

O programa de Wi-Fi Livre deveria beneficiar comunidades periféricas, incluindo a Zona Noroeste (Perus, Jaraguá, Anhanguera). Porém, a falta de sinalização e a ausência de pontos em endereços registrados comprometem o acesso à internet gratuita para moradores de áreas vulneráveis. A conectividade é essencial para acesso a serviços públicos, educação e oportunidades de emprego, especialmente em regiões afastadas dos principais eixos de mobilidade como a Linha 7-Rubi da CPTM e as Rodovias Anhanguera e Bandeirantes.

Destaques do Conhecimento

  • ONG contratada por R$ 108 milhões é ligada à produtora do filme “Dark Horse” sobre Bolsonaro
  • Apenas 3.200 dos 5 mil pontos de Wi-Fi prometidos foram instalados até agora
  • Investigação aponta sobrepreço, desvio de recursos e possível financiamento de produção cinematográfica
  • Pontos de Wi-Fi sem sinalização deixam moradores desconhecendo a existência do serviço gratuito
  • Três endereços constam da lista de pagamentos, mas não têm equipamentos instalados

Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online