O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, partiu para a obstrução na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados para travar o avanço do debate sobre o fim da jornada de trabalho no modelo seis por um (6×1), em sessão realizada nesta quarta-feira (15).
A reação foi liderada pelo deputado Marco Feliciano (PL-SP), que se posicionou contra a realização de audiência pública sobre o tema e atacou diretamente a proposta de redução da jornada. Ao justificar a obstrução, o parlamentar admitiu a estratégia para impedir o avanço da pauta.
“Como não houve acordo, então nós vamos aqui usar aquilo que nós, como oposição, sempre fazemos, que é o nosso kit obstrução”, afirmou.
O requerimento em discussão, apresentado pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), prevê a realização de audiência pública com participação do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) para discutir alternativas ao modelo atual.
Feliciano, no entanto, foi além da divergência política e desqualificou a proposta. “Parece que pra quatro dias da semana e diminuir ainda pra seis horas de trabalho. Eu acho isso uma excrescência”, declarou.
Na mesma intervenção, o deputado defendeu um modelo de desenvolvimento baseado na intensificação do trabalho e associou crescimento econômico à ampliação da jornada.
“Democracias sérias e maduras, como Estados Unidos da América, como Japão, todas as pessoas trabalham até a exaustão pra verem a prosperidade, a riqueza e tudo mais”, afirmou.
Dados contrariam tese da exaustão
Dados de estudos internacionais, porém, vão na contramão desse argumento. Um levantamento do National Bureau of Economic Research, instituto de pesquisa econômica dos Estados Unidos, publicado no ano passado, mostra que, embora a média global de jornada semanal gire em torno de 42 horas por trabalhador, países de renda média, como o Brasil, concentram uma parcela maior de trabalhadores submetidos a jornadas extensas, frequentemente acima de 45 ou até 50 horas semanais.
Esse padrão contrasta com economias desenvolvidas como Estados Unidos, França e Japão, onde há maior concentração em jornadas próximas das 40 horas e menor incidência de cargas horárias extremas.
Fonte: ICL Notícias
Data: 15/04/2026






































