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O dia 101 do Brasil: Copa, eleição e a caída na real

E finalmente estamos no dia 101, ou seja, esta quinta-feira, 22 de abril de 2026 é o primeiro dia depois dos últimos 100 sem as polêmicas e torcidas apaixonadas do reality show mais famoso, comentado e desejado do país. Pela frente temos o que já estava aí, ou seja, Trump e sua constante ameaça de fim de mundo; uma Copa do Mundo de Futebol; e eleições para presidente, governadores, senadores e deputados. Porém tudo um tanto eclipsado pela grande distração nacional: O Big Brother Brasil.
Acontece que na lógica contemporânea onde tudo vira entretenimento, nada disso empolga como a fantasia do programa onde apenas uma pessoa ganha milhões, umas poucas ganham a simpatia, muitas são vilanizadas e quase todas saem em pouco tempo da relativa fama para o relativo nada. Atenção é a grande commoditie dos nossos tempos.
Uma pesquisa Data Folha apontou que bateu recorde o desinteresse pela Copa do Mundo, com 54% dos brasileiros nada atraídos pela competição que deu ídolos, cinco títulos e uma marca que se confunde com a própria identidade do Brasil. Segundo a pesquisa, o desinteresse cresce entre as mulheres (62%) em comparação com os homens (46%) e 31% dos entrevistados disseram que não pretendem assistir aos jogos do Mundial.
Pode-se especular diversos motivos para esses números. O desempenho das últimas edições, mudanças de hábito e comportamento, mas também um desgaste de imagem. Muitos ainda não fizeram as pazes com a camisa verde e amarela, capturada pelo campo político da extrema direita como símbolo de patriotismo. Menos ainda quando, envergando as cores que um dia correram em campo com Pelé, Garrincha, Ronaldinho, Ronaldo, entre tantos outros, os integrantes desse grupo bateram continência e “adoraram” a bandeira norte-americana.
Não há como negar que a paixão nacional pela seleção esfriou consideravelmente, pois desde há vários anos há um conflito com os símbolos que a cercam, mas também existe uma crise de conexão com atletas que parecem distantes.
Certamente quando a bola rolar o país vai se mobilizar e aquilo que parecia morno talvez reaqueça. A dúvida que fica é se a torcida não estará muito mais interessada em que a seleção avance para que aconteçam feriados inusitados, pausas muito bem-vindas em escalas de trabalho tão extenuantes quanto abusivas. Um intervalo no cruel esquema 6×1. Há um cansaço no ar um tanto contagioso e uma busca desesperada por descanso.
Neste cenário, as eleições — que deveriam ser a festa da democracia e a chance de ver na mesa propostas para um país —, entram num rolo compressor de notícias mentirosas nas redes, manipulações tecnológicas e uma confusão proposital e danosa especialmente para quem não ganhou milhão nenhum e, mesmo que não realize o quanto, ainda precisa da política como motor para suas principais questões de sobrevivência.
Seriedade, escuta e diálogo verdadeiro com a população poderia ser um caminho para voltar a trazer a atenção tão necessária. Vejamos o que nos aguarda nas cenas dos próximos capítulos.
Autor: Eliana Alves Cruz Data: 22/04/2026 Fonte: ICL Notícias