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Monotrilho Linha 17-Ouro: Entenda o Desafio da Bifurcação em Y que Muda São Paulo

Monotrilho Linha 17-Ouro: Entenda o Desafio da Bifurcação em Y que Muda São Paulo

Resumo: A Linha 17-Ouro, inaugurada em São Paulo, adota um formato inédito de bifurcação em “Y” que reduz a capacidade de transporte e exige mais atenção dos passageiros. O sistema sem condutor promete modernidade, mas traz desafios operacionais nunca antes enfrentados na capital.

O governo paulista inaugurou oficialmente a Linha 17-Ouro na última terça-feira (31 de março). O trecho inicial liga o Aeroporto de Congonhas à Estação Morumbi, com 6,7 quilômetros de extensão operacional e oito estações. A operação começou de forma transitória e em formato de vaivém (shuttle), com intervalo médio dos trens variando entre 7 e 14 minutos.

A estação Washington Luís ficou fora da operação inicial por exigir o uso da bifurcação. Segundo o governo, a parada vai entrar em serviço quando o sistema receber mais trens e reduzir o tempo de espera. O projeto oficial prevê alta automação técnica e expansão futura, com capacidade projetada para 36 mil passageiros por hora por sentido e intervalos de até 80 segundos.

A linha possui 781 vigas, 435 pilares e operação sem condutor (UTO) com sinalização moderna (CBTC). No futuro, o ramal vai ganhar 4,6 quilômetros e novas estações, como Vila Paulista e Américo Maurano, seguindo para o Jabaquara e Paraisópolis.

A ideia de criar linhas com ramificações aparece nos primeiros estudos do metrô paulistano. Projetos ligados ao ex-prefeito Prestes Maia, entre as décadas de 1950 e 1960, já avaliavam opções subterrâneas, elevadas e até monotrilhos para uma cidade menos densa. O consórcio HMD projetou pelo menos duas bifurcações relevantes em 1968.

O planejamento abandonou a ideia à medida que a demanda e a cidade cresceram. São Paulo manteve periferias densas, o que levou o governo a priorizar linhas diretas e independentes, alimentadas por ônibus e corredores nas pontas, para evitar conflitos internos de operação.

O formato em “Y” reduz a capacidade de transporte da linha. O professor Marcos Kiyoto de Tani e Isoda, doutor em planejamento urbano pela FAU-USP, explica que a divisão do percurso afeta a oferta de trens: “Quando você divide a linha em dois, você divide a capacidade pela metade”.

O passageiro vai precisar redobrar a atenção na hora do embarque. Marcos lembra que o usuário terá de conferir os letreiros e avisos sonoros para saber o destino exato de cada trem, algo comum em cidades como Nova York e Londres, mas que adiciona complexidade à rotina do paulistano.

O monotrilho torna a divisão de rotas ainda mais complexa. Diferente dos trilhos metálicos convencionais, o sistema usa uma viga-guia de concreto robusta, o que transforma o desvio em um equipamento grande e difícil de encaixar na estrutura. A operação exige coordenação rigorosa para manter a regularidade, pois a bifurcação não é rara no mundo, mas em redes de alta demanda como a de São Paulo, a entrada e saída alternada de trens pode prejudicar o fluxo se não for bem administrada.

Destaques da Matéria

  • Linha 17-Ouro inaugurada com 6,7 km de extensão e 8 estações, ligando Aeroporto de Congonhas ao Morumbi
  • Bifurcação em “Y” reduz capacidade pela metade e exige mais atenção dos passageiros no embarque
  • Sistema sem condutor (UTO) com sinalização moderna promete 36 mil passageiros/hora por sentido
  • Expansão futura prevê 4,6 km adicionais com novas estações até Jabaquara e Paraisópolis
  • Desafio operacional inédito em São Paulo requer coordenação rigorosa para manter regularidade

Conteúdo original: UOL | Adaptação: Perus Online