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Medicamentos Ficam Mais Caros em Abril: Confira os Preços dos 10 Remédios Mais Usados no Brasil

A partir de 1º de abril de 2026, os brasileiros enfrentam um novo reajuste nos preços de medicamentos. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) autorizou um aumento máximo de 3,81%, representando o menor índice de reajuste em quase duas décadas. Apesar de estar abaixo da inflação acumulada de 12 meses, o impacto no bolso das famílias é imediato e desigual.

O mecanismo de precificação de fármacos no Brasil segue uma fórmula matemática rigorosa baseada no IPCA, com desconto do ganho de produtividade da indústria farmacêutica. Segundo Mateus Amâncio, secretário-executivo da CMED, esse sistema garante transparência e evita decisões discricionárias, permitindo que parte da eficiência das empresas seja repassada aos consumidores.

Importante: as farmácias não são obrigadas a aplicar o reajuste imediatamente. Geralmente, o repasse ocorre de forma gradual, com período de até 15 dias após a oficialização do aumento. Essa dinâmica depende da política de cada rede varejista.

Destaques do Conhecimento

  • O reajuste máximo de 3,81% é o menor em quase 20 anos
  • Medicamentos genéricos devem ser pelo menos 35% mais baratos que os de referência
  • O aumento é dividido em três níveis conforme a competitividade: 3,81% (alta concorrência), 2,47% (média) e 1,13% (pouca concorrência)
  • Farmácias têm até 15 dias para repassar o aumento aos consumidores
  • Idosos e aposentados são os mais impactados por medicamentos de uso contínuo

Os medicamentos mais comercializados no Brasil receberão aumentos variados. A dipirona, um dos fármacos mais populares, passará de R$ 4,15 para R$ 4,31. O ibuprofeno subirá de R$ 4,04 para R$ 4,19. Já a loratadina, utilizada para alergias, terá seu preço elevado de R$ 16,35 para R$ 16,97.

Outros medicamentos de uso frequente também sofrerão reajustes: o paracetamol passará de R$ 11,34 para R$ 11,77, enquanto a acetilcisteína, utilizada para problemas respiratórios, subirá de R$ 34,93 para R$ 36,26. Esses aumentos refletem o teto máximo permitido pela CMED.

O impacto social é profundo e desigual. Para Wandemberg Almeida, presidente do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon-CE), o aumento funciona como um “imposto silencioso sobre a saúde, atingindo fortemente quem menos pode pagar”. Famílias com renda de até dois salários mínimos e idosos são os mais afetados, especialmente em medicamentos de uso contínuo para diabetes e hipertensão.

O economista alerta para um “efeito cascata” na economia local. Com famílias gastando mais em farmácias, o consumo em outros setores pode retrair, além de pressionar aumentos em mensalidades de planos de saúde e custos em clínicas e hospitais. Thiago Holanda, conselheiro do Corecon-CE, reforça que o impacto é heterogêneo: pesa mais para quem depende de fármacos fora da cobertura do SUS ou da Farmácia Popular.

Érico Veras, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador de Finanças Comportamentais, destaca que o reajuste afeta especialmente quem depende de uso contínuo de medicamentos, principalmente idosos e aposentados cuja renda tende a crescer pouco ou até diminuir com o tempo. Para esse público, remédio não é item opcional, assim como alimentação.

Com as famílias brasileiras no maior nível de endividamento já registrado, qualquer nova despesa agrava ainda mais a situação financeira. O reajuste de medicamentos, embora menor que a inflação geral, representa mais um peso no orçamento doméstico em um contexto de pressão econômica crescente.


Conteúdo adaptado e reescrito a partir de reportagem do Diário do Nordeste. Publicação original: 01 de abril de 2026. Imagem: Homem atendente de farmácia, arrumando remédios em uma prateleira.