Lula Defende Multilateralismo e Critica Potências Globais em Discurso Histórico
Resumo: Presidente Lula critica os “senhores da guerra” e defende a reforma da ONU em discurso em Barcelona. Alerta para o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra e cobra representatividade para Brasil, México, Argentina e nações africanas no Conselho de Segurança.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou os chamados “senhores da guerra” e defendeu o fortalecimento do multilateralismo neste sábado (18), ao alertar para os riscos do cenário internacional atual e apontar falhas no funcionamento da Organização das Nações Unidas (ONU). Durante discurso em Barcelona, na 4.ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, Lula afirmou que o tema central de sua preocupação é a relação entre as nações e a necessidade de mudanças no sistema global.
Lula criticou diretamente o funcionamento do Conselho de Segurança da ONU, afirmando que seus membros permanentes passaram a agir de forma contrária ao objetivo original de garantir a paz. “Os cinco membros do Conselho de Segurança viraram os senhores da guerra. Esse é o dado concreto”, disse. O presidente também questionou a eficácia da ONU diante de conflitos atuais: “A ONU, que teve força para criar o Estado de Israel, não tem força sequer para manter o Estado palestino”.
Em outro momento, Lula criticou decisões unilaterais de grandes potências ao longo das últimas décadas. “Nenhum presidente de nenhum país, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países”, disse. Ele citou intervenções militares sem aval multilateral e questionou a ausência de consultas à ONU em diversos conflitos. O presidente ainda alertou para o aumento de tensões globais: “Esse é o momento da história de maior quantidade de conflitos armados no mundo depois da Segunda Guerra”.
Lula defendeu a reforma da governança internacional, com ampliação da representatividade. “Cadê a representação africana? Cadê a participação do México e do Brasil? De uma Argentina? De uma Colômbia? Cadê a participação da Índia? Alemanha? Japão? Indonésia?”, questionou, ao cobrar mudanças na composição do órgão.
No evento, o presidente também abordou temas como violência contra a mulher e regulação de plataformas digitais. Lula destacou iniciativas internas do Brasil, como um pacto entre os três Poderes para combater o feminicídio, envolvendo líderes religiosos, sindicais e movimentos sociais. No campo digital, defendeu maior rigor do Estado na regulação das plataformas: “Se o Estado não agir, a gente não controla as plataformas digitais – que de rede social não têm nada. É pouco social e muito ódio, muita promiscuidade, muito sexo e muita jogatina”.
Destaques da Matéria
- Lula critica os “senhores da guerra” do Conselho de Segurança da ONU e cobra reforma da governança internacional com maior representatividade para Brasil, México, Argentina, nações africanas, Índia, Alemanha, Japão e Indonésia
- Presidente alerta que vivemos o momento de maior quantidade de conflitos armados no mundo desde a Segunda Guerra, com falta de atuação efetiva da ONU
- Lula defende que nenhum presidente tem direito de impor regras a outros países e critica decisões unilaterais de grandes potências nas últimas décadas
Conteúdo original: Brasil 247 | Adaptação e Curadoria: Equipe Perus Online






































