Um empresário paulista desvendou uma joia arquitetônica ao adquirir um palacete abandonado no coração de São Paulo. O imóvel histórico, localizado na Rua Roberto Simonsen no Marco Zero da capital, foi projetado pelo renomado arquiteto Ramos de Azevedo, responsável por ícones como o Theatro Municipal e a Pinacoteca do Estado. A descoberta promete revitalizar o patrimônio histórico da região e transformar o espaço em um centro cultural de relevância para a comunidade paulista.
Allan Ruiz, administrador de empresas com experiência em revitalização de imóveis antigos, adquiriu o casarão em outubro de 2025, inicialmente sem compreender a magnitude histórica de sua aquisição. O edifício de quatro pavimentos, construído em 1919, apresentava sinais evidentes de abandono: fachada deteriorada, vidros quebrados, pichações e interiores comprometidos por infiltrações, mofo e vegetação invasora. Porém, sob essa camada de degradação, permanecia intacta a nobreza arquitetônica original, com seus saguões de pé-direito duplo e imensos janelões ornamentados com vitrais coloridos.
A revelação sobre a autoria do projeto ocorreu de forma inesperada. Durante uma inspeção minuciosa do imóvel, Ruiz identificou tijolos marcados com símbolos e letras que despertaram sua curiosidade investigativa. Ao entrar em contato com a Tijoloteca, um acervo especializado em catalogação de materiais históricos de construção, descobriu que a arqueóloga Angélica Moreira havia pesquisado precisamente aquele edifício anos antes. Em 2009, Moreira havia investigado o patrimônio arquitetônico de instituições de saúde em capitais brasileiras e teve acesso às atas da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, confirmando que Ramos de Azevedo havia sido o projetista da sede.
O palacete funcionou como sede da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo durante vinte anos, abrigando instituições fundamentais para o desenvolvimento médico paulista. O espaço reunia os principais profissionais da saúde da época e contava com tecnologia de ponta para o período. Após perder subsídios estatais e acumular dívidas, a instituição encerrou suas operações em 1939, marcando o início de um longo período de abandono que se estenderia por mais de oito décadas.
O imóvel foi tombado em 2015 pelo Conpresp, reconhecendo seu valor histórico e arquitetônico. Após a desocupação pela Sociedade de Medicina, o prédio passou para as mãos da Caixa Econômica Federal e foi posteriormente leiloado para um industrial que nunca o utilizou de forma consistente. Desde o final da década de 1930, o casarão permaneceu praticamente vazio, com raras exceções como uma exposição da Caixa Cultural em 1997 e um evento privado em 2025.
Ruiz já iniciou gestões para captar recursos através de leis de incentivo fiscal, com previsão de início das obras de restauração em 2027. Sua estratégia não contempla uma restauração completa imediata, mas sim adequações funcionais e recuperação de elementos específicos como vitrais e pisos originais. O empresário pretende preservar visualmente os efeitos do tempo no imóvel, permitindo que visitantes compreendam a ação da degradação ao longo das décadas.
A visão de Ruiz para o futuro do palacete é transformá-lo em um espaço cultural aberto ao público. Essa decisão reflete tanto a vocação histórica da região central de São Paulo quanto uma filosofia de preservação que prioriza o acesso coletivo ao patrimônio. Para o empresário, essa utilização representa uma forma mais digna de honrar a história arquitetônica e institucional do edifício, permitindo que gerações futuras apreciem a obra de um dos maiores arquitetos brasileiros.
Destaques do Conhecimento
- Palacete de 1919 projetado por Ramos de Azevedo, arquiteto responsável pelo Theatro Municipal e Pinacoteca do Estado
- Localizado na Rua Roberto Simonsen, 97, no Marco Zero de São Paulo, próximo ao Pateo do Collegio
- Funcionou como sede da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, instituição fundamental para o desenvolvimento médico paulista
- Tombado em 2015 pelo Conpresp, reconhecendo seu valor histórico e arquitetônico
- Será transformado em espaço cultural com restauração prevista para iniciar em 2027
- Descoberta da autoria confirmada através de pesquisa em tijolos históricos e acervos especializados
Fonte original: Veja São Paulo | Adaptação: Perus Online
Caption: Allan Ruiz em frente ao palacete histórico no centro de São Paulo, que será transformado em espaço cultural. O edifício de 1919, projetado por Ramos de Azevedo, apresenta elementos arquitetônicos nobres como vitrais coloridos e saguões de pé-direito duplo, apesar do estado de abandono.






































