Documentos da Receita Federal revelam que o Banco Master pagou R$ 40 milhões ao escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes em 2024. A descoberta intensifica questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo a família do magistrado do STF.
Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, é sócia do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que recebeu 11 pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões do banco durante o ano passado. O contrato original previa R$ 129 milhões em três anos, mas foi interrompido em novembro de 2025 quando o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central e seu dono, Daniel Vorcaro, foi preso.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado recebeu os dados da Receita Federal após solicitar complementação das informações. O relator da comissão, senador Alessandro Vieira, destacou que a Receita havia enviado dados incompletos inicialmente e que apenas em um ano o escritório recebeu R$ 40 milhões.
O escritório Barci de Moraes afirmou que as informações estão incorretas e foram vazadas ilicitamente, recusando-se a informar o valor correto dos pagamentos. A defesa argumenta que prestou serviços de consultoria e atuação jurídica ao banco, realizando 94 reuniões de trabalho (79 presenciais na sede do Master) e produzindo 36 pareceres sobre compliance, regulação e questões trabalhistas.
Segundo o escritório, a equipe envolveu 15 advogados e serviços de três outros escritórios especializados em consultoria. A firma também afirmou ter ajudado a implementar o novo código de ética e conduta do banco e nunca ter conduzido nenhuma causa no âmbito do STF.
O ministro Alexandre de Moraes não se manifestou sobre o assunto. Em dezembro de 2025, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou o arquivamento de um pedido de investigação sobre a possível atuação de Moraes no caso Master, afirmando não ter vislumbrado “qualquer ilicitude” que justificasse a intervenção da Procuradoria-Geral.
Destaques da Matéria
- Banco Master pagou R$ 40,1 milhões ao escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes em 2024, segundo documentos da Receita Federal
- Contrato original previa R$ 129 milhões em três anos, mas foi interrompido quando o banco foi liquidado e seu dono preso em novembro de 2025
- CPI do Crime Organizado investiga possíveis conflitos de interesse; escritório nega irregularidades e afirma ter prestado serviços legítimos de consultoria
Conteúdo original: Folha de S.Paulo/UOL | Adaptação: Perus Online






































