A administração municipal de São Paulo identificou inconsistências significativas em documentos fiscais apresentados por uma organização não governamental que atua na área de tecnologia e conectividade. A ONG em questão, presidida pela proprietária de uma produtora cinematográfica, recebeu contrato no valor total de R$ 108 milhões para implementação de infraestrutura de wi-fi na capital paulista. As irregularidades detectadas somam R$ 13,4 milhões e envolvem falta de especificação de áreas geográficas e descrição inadequada de serviços prestados.
A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia de São Paulo formalizou ofício questionando a documentação apresentada pela organização. Dos valores suspeitos, R$ 10,6 milhões referem-se a notas fiscais que não detalham as regiões atendidas nem especificam os trabalhos realizados. Essas notas foram emitidas por quatro empresas diferentes: Favela Conectada Serviço e Tecnologia, Complexsys Soluções Integradas, Make One Tecnologia Digital e Ultra IP.
A investigação ganha relevância após operação de busca e apreensão realizada em junho pela Polícia Civil de São Paulo, que atingiu tanto a ONG quanto as empresas fornecedoras. As autoridades investigam possível desvio de recursos públicos e se parte dos valores do contrato foi direcionada para financiar produção cinematográfica que retrata figura política de destaque nacional.
Além dos R$ 10,6 milhões em notas sem especificação adequada, a secretaria municipal questiona outros R$ 906 mil relacionados a cancelamento de documentos fiscais. Uma nota no valor de R$ 500 mil, emitida em 24 de junho de 2025, foi cancelada apenas dez dias depois, em 4 de julho de 2025. Outras inconsistências identificadas somam R$ 1,3 milhão e incluem falta de lastro bancário, notas sem valor fiscal, endereços incompatíveis, pagamentos antecipados e ausência de relatórios técnicos.
A organização recebeu prazo de 30 dias para regularizar a documentação e apresentar justificativas sobre as inconsistências apontadas. A secretaria municipal esclareceu que a fiscalização faz parte da rotina semestral de verificação de contas. Caso a ONG não regularize a situação dentro do prazo estabelecido, os valores questionados deverão ser imediatamente restituídos aos cofres públicos.
A presidenta da organização afirmou que os fatos serão devidamente esclarecidos e que a documentação apresentada demonstrará a regularidade da execução das parcerias. Segundo comunicado oficial, a entidade permanece colaborando integralmente com a administração municipal, prestando todos os esclarecimentos técnicos e documentais necessários para comprovar a correta aplicação dos recursos públicos.
Destaques do Conhecimento
- Prefeitura de São Paulo questiona R$ 13,4 milhões em notas fiscais de ONG contratada para instalação de wi-fi
- Contrato total com a organização soma R$ 108 milhões, firmado em 2024 na gestão do prefeito Ricardo Nunes
- Investigações apuram possível desvio de recursos e financiamento de produção cinematográfica com dinheiro público
- ONG tem prazo de 30 dias para regularizar documentação ou deverá devolver valores questionados
Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Perus Online
Caption: Fotografia institucional da presidente da ONG envolvida em investigação sobre aplicação de recursos públicos em contrato de infraestrutura de wi-fi em São Paulo





































