Doze projetos no Congresso podem extinguir ou reduzir áreas de proteção ambiental equivalentes a 11 vezes São Paulo. A destruição de reservas ameaça o ciclo de chuvas, a qualidade do solo e, consequentemente, o custo de vida do trabalhador paulista.
Enquanto a bancada ruralista avança sobre as unidades de conservação brasileiras, o impacto direto chega ao bolso de quem vive em São Paulo. A destruição de 1,7 milhão de hectares de áreas protegidas no Pantanal, Amazônia, Mata Atlântica e litoral não é apenas uma questão ambiental distante: afeta diretamente o ciclo de chuvas que alimenta os reservatórios de água da capital paulista, a qualidade do solo que sustenta a produção agrícola que abastece as mesas dos paulistas, e o custo de vida de quem depende de alimentos mais baratos.
Doze projetos de lei tramitam no Congresso Nacional com o objetivo de reduzir, impedir a criação ou simplesmente extinguir áreas de proteção ambiental. A maioria dos autores são empresários do agronegócio ou do setor imobiliário, segundo levantamento do Observatório do Clima. Os poucos que não são desses ramos recebem doações diretas dos setores.

A estratégia é clara: após minar o Código Florestal e a Lei de Licenciamento Ambiental, os ruralistas agora focam nas unidades de conservação como a “última fronteira” para expansão do agronegócio. Projetos recentes buscam transferir do Executivo para o Legislativo a competência de criar novas reservas, proibir a criação de UCs em áreas com minerais estratégicos, e reverter decretos recentes de proteção ambiental.
Em julho, numa votação relâmpago, o Senado aprovou a diminuição em 40% da Reserva Extrativista do Jamanxim, no Pará, invadida pela pecuária. O presidente Lula tem até o início de agosto para vetar ou sancionar. Se sancionar, abre precedente para que outras reservas sejam reduzidas.
Sete dos 12 projetos focam especificamente em conter o aumento de reservas marinhas no litoral brasileiro. A pressão é tão forte que ameaça até mesmo a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, em Santa Catarina, a unidade de conservação mais visitada do país, com mais turistas que as Cataratas do Iguaçu e Fernando de Noronha.
Para o trabalhador paulista, a conta é simples: sem áreas protegidas, não há ciclo de chuvas adequado, não há qualidade de solo para produção agrícola, e não há estabilidade climática. Isso significa secas mais frequentes, água mais cara, alimentos mais caros e um custo de vida ainda mais elevado na região metropolitana de São Paulo.
A Zona Noroeste de São Paulo, onde vivem milhares de trabalhadores, depende diretamente da estabilidade climática e da produção agrícola do interior paulista e de estados vizinhos. A destruição de reservas ambientais compromete essa cadeia inteira.
Destaques do Conhecimento
- Doze projetos de lei ameaçam 1,7 milhão de hectares de unidades de conservação em todo o Brasil
- Sete dos 12 projetos focam em reduzir ou eliminar reservas marinhas no litoral, afetando a biodiversidade e o turismo
- A destruição de áreas protegidas compromete o ciclo de chuvas, a qualidade do solo e a produção agrícola que alimenta São Paulo
- Parlamentares ruralistas e empresários do agronegócio são os principais autores dos projetos
- A Reserva Extrativista do Jamanxim já teve 40% de sua área aprovada para redução no Senado
Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Equipe Perus Online





































