Dois feminicídios chocam São Paulo em menos de 24 horas. Ambas as vítimas já haviam denunciado agressões dos companheiros à polícia antes de serem mortas.
A Grande São Paulo registrou dois casos de feminicídio nesta segunda-feira (31 de agosto), evidenciando a persistência da violência contra mulheres mesmo após denúncias formais. Vanessa Batista Alves, 42 anos, foi esfaqueada em Cotia, na Região Metropolitana. Horas antes, Ana Cláudia das Mercês Gabriel, 34 anos, foi baleada no Grajaú, na Zona Sul da capital. Em ambos os casos, os principais suspeitos eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

O caso de Cotia: Vanessa saiu de casa ferida no domingo à tarde, pedindo socorro. Vizinhos acionaram a polícia e ela foi levada a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Francisco Carlos de Oliveira, companheiro há dois anos, estava na residência quando os policiais chegaram. Uma faca com marcas de sangue foi encontrada no imóvel. Oliveira alegou que Vanessa teria tentado tirar a própria vida, mas a versão não impediu sua prisão em flagrante. Após audiência de custódia, a prisão foi convertida em temporária.
O caso do Grajaú: Durante a madrugada, Ana Cláudia foi encontrada morta dentro de casa. O principal suspeito é seu ex-companheiro, que disparou dentro da residência e fugiu. Vizinhos relataram ter ouvido os tiros e visto o homem armado apontando a arma para moradores antes de desaparecer. Até o momento, o suspeito não foi localizado.
Denúncias anteriores ignoradas: Ambas as vítimas já haviam procurado a polícia e registrado boletins de ocorrência por agressão antes de serem assassinadas. O padrão revela falhas críticas no sistema de proteção às mulheres em situação de violência doméstica.
Números alarmantes: Em São Paulo, o número de vítimas de feminicídio passou de 124 para 141 em apenas um ano, um aumento de 13,7%. Comparado a 2022, quando foram registrados 83 feminicídios, houve um aumento de 70%. No primeiro semestre de 2026, 50% das vítimas foram consideradas negras, e 6 em cada 10 tinham entre 25 e 44 anos. Os objetos cortantes e perfurantes foram utilizados em um terço dos crimes, enquanto armas de fogo foram usadas em 22% dos feminicídios consumados.
Destaques do Conhecimento
- Dois feminicídios registrados em menos de 24 horas na Grande São Paulo
- Ambas as vítimas já haviam denunciado agressões dos suspeitos à polícia
- Aumento de 70% em feminicídios em São Paulo comparado a 2022
- Mulheres negras representam 50% das vítimas de feminicídio no estado
- Objetos cortantes são o meio mais comum para estes assassinatos
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online







































