A administração Trump acelerou sua ofensiva contra a concentração do mercado de processamento de carnes nos Estados Unidos, anunciando novas medidas que permitem aos produtores rurais processar sua própria produção. A iniciativa afeta diretamente empresas brasileiras como JBS e National Beef (controlada pela MBRF), que juntas dominam aproximadamente 85% do mercado americano de carne bovina. A ação reflete preocupações crescentes com a inflação de proteínas animais e a redução do rebanho nacional americano, questões que impactam tanto consumidores quanto produtores.
O presidente americano criticou a estrutura oligopolista do setor, apontando que apenas quatro empresas controlam a cadeia de processamento. Essa concentração, segundo Trump, prejudica significativamente os pecuaristas locais, que enfrentam pressão de preços tanto na compra de gado quanto na venda de produtos finais. A carne moída atingiu US$ 6,76 por quilo em janeiro de 2026, representando aumento de 18% comparado ao ano anterior.
A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, anunciou série de medidas a partir de segunda-feira (31 de agosto) para fortalecer pequenos produtores e processadores locais. As ações incluem redução de burocracia, ampliação de vendas entre estados, revogação de regulamentações obsoletas, além de financiamento e desregulamentação para pequenos processadores. O governo busca flexibilizar regras federais que atualmente impedem pecuaristas de comercializar carne processada por eles próprios sem inspeção federal.
A proposta gerou reações contraditórias no setor. O Meat Institute, representante das grandes processadoras, alertou que flexibilizar inspeção pode comprometer segurança alimentar. Já a National Cattlemen’s Beef Association apoiou redução de regulamentações, mas mantém posição favorável aos padrões de inspeção. Representantes das empresas brasileiras não se pronunciaram imediatamente sobre as medidas.
A estratégia faz parte de movimento mais amplo da Casa Branca. Recentemente, Trump ampliou temporariamente em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que pode entrar no país sob cota com tarifa reduzida, tentativa de diminuir preços ao consumidor. Essa abertura para importações, porém, preocupa pecuaristas americanos que temem pressão adicional nos preços recebidos pelos produtores locais.
Destaques do Conhecimento
- Trump anuncia medidas para permitir que produtores rurais processem sua própria carne, combatendo oligopólio do setor
- JBS e National Beef (MBRF) controlam 85% do mercado americano de carne bovina e são alvo direto da ofensiva
- Inflação de proteínas animais atingiu 9,4% em 12 meses, com carne moída custando US$ 6,76 por quilo em janeiro de 2026
- Governo amplia importações de carne bovina magra em 300 mil toneladas para reduzir preços ao consumidor
- Secretária de Agricultura anuncia pacote de desregulamentação para pequenos processadores a partir de 31 de agosto
Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Perus Online
Caption: Donald Trump durante coletiva de imprensa anunciando medidas contra monopólio da carne bovina nos Estados Unidos, com foco em fortalecer pequenos produtores rurais e processadores locais






































