Trump anuncia ofensiva contra monopólio da carne nos EUA com foco em desconcentração do mercado. Medida pode impactar preços de proteína animal no Brasil e afetar empresas brasileiras como JBS e MBRF.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) uma nova estratégia para combater a concentração do mercado de processamento de carnes. A medida visa permitir que agricultores e pecuaristas processem sua própria produção, reduzindo a dependência das grandes corporações.
A iniciativa é uma resposta direta ao monopólio exercido por apenas quatro empresas que controlam 85% do mercado americano de carne bovina: JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef. Duas delas têm ligações diretas com o Brasil — a JBS é de origem brasileira, enquanto a National Beef é controlada pela MBRF (Marfrig).

O impacto no bolso do paulista
Para o trabalhador de São Paulo e da Zona Noroeste, essa disputa comercial americana pode significar mudanças nos preços da carne no mercado local. Atualmente, um quilo de carne moída chegou a custar R$ 35,10 em janeiro de 2026 — um aumento de 18% em relação ao ano anterior. A inflação da carne foi de 9,4% nos últimos 12 meses, segundo dados oficiais do Departamento do Trabalho americano.
Se Trump conseguir desconcentrar o mercado americano, a tendência é que haja maior oferta de carne no mercado global, o que poderia pressionar os preços para baixo. Isso beneficiaria o consumidor brasileiro, especialmente aqueles que dependem de proteína animal como base da alimentação.
O que Trump pretende fazer
O presidente autorizou a preparação de documentos jurídicos para garantir que produtores tenham “o direito de processar seus próprios alimentos”. A secretária da Agricultura, Brooke Rollins, anunciou uma série de medidas a partir de segunda-feira (31) que incluem:
- Redução de burocracia no processamento de carnes
- Ampliação das vendas entre estados
- Revogação de orientações consideradas ultrapassadas
- Financiamento e desregulamentação para pequenos processadores
A estratégia também inclui a flexibilização de regras federais que atualmente impedem pecuaristas de comercializar carne de animais abatidos e processados por eles próprios sem inspeção federal. Essa regulamentação é realizada pelo Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar do Departamento de Agricultura americano.
Reações e resistências
A proposta já gerou reações contraditórias. O Meat Institute, que representa empresas processadoras, alertou que permitir a comercialização de carne sem inspeção pode colocar em risco a segurança alimentar. Por outro lado, a National Cattlemen's Beef Association, que representa pecuaristas, apoiou a redução de regulamentações, mas defendeu a manutenção dos padrões de inspeção.
A ofensiva de Trump contra as grandes processadoras ganhou força em agosto. O conselheiro comercial Peter Navarro acusou as quatro maiores empresas de formar um “cartel” e destacou especificamente a presença brasileira no setor, afirmando que “duas das quatro empresas são de propriedade brasileira e estão envolvidas até o pescoço com os chineses”.
Navarro também acusou as empresas de exercer pressão dos dois lados da cadeia: pagando menos aos pecuaristas pelo gado e cobrando preços mais altos dos supermercados. “O que a parte brasileira do cartel faz, como qualquer cartel faria, é maximizar seus preços globalmente, e os americanos estão pagando a conta por isso”, disse.
Medidas complementares
Na quarta-feira (26), Trump também assinou uma medida para ampliar temporariamente em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que pode entrar no país sob uma cota com tarifa reduzida. O objetivo é diminuir os preços pagos pelos consumidores americanos.
Essa estratégia provocou críticas de representantes dos pecuaristas americanos, que temem que o aumento das importações pressione os preços recebidos pelos produtores locais.
Destaques do Conhecimento
- Apenas quatro empresas controlam 85% do mercado de carne bovina nos EUA: JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef
- Duas dessas empresas têm origem ou controle brasileiro: JBS (brasileira) e National Beef (controlada pela MBRF/Marfrig)
- O preço da carne moída chegou a R$ 35,10 por quilo em janeiro de 2026, com inflação de 9,4% nos últimos 12 meses
- Trump autoriza desregulamentação para permitir que produtores processem sua própria carne
- Ampliação de 300 mil toneladas na cota de importação de carne bovina magra com tarifa reduzida
Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Equipe Perus Online






































