Enquanto o agronegócio impulsiona estados como Piauí, Maranhão e Mato Grosso com crescimento de até 103% em produtividade, São Paulo registra apenas 1,2%. A mudança econômica do país afeta diretamente o bolso de quem vive na capital e na Zona Noroeste.
A produtividade brasileira mudou de endereço. O motor econômico que antes girava nos polos industriais tradicionais do Sudeste agora funciona no interior, impulsionado pela força do agronegócio no Centro-Oeste e pela expansão para novas fronteiras agrícolas. Para quem vive em São Paulo e na Zona Noroeste, essa transformação tem reflexos diretos: menos oportunidades industriais, maior pressão nos serviços e mudanças no mercado de trabalho.

Entre 2002 e 2019, a produtividade do trabalho na agropecuária cresceu 80,1%, enquanto na indústria avançou apenas 5,4%. O Piauí liderou com alta de 103%, Maranhão com 86% e Tocantins com 69,7%. São Paulo, que deveria ser referência, ficou com apenas 1,2%. No Rio de Janeiro, o aumento foi de 4%.
O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica que irriga transporte, comércio, construção civil, tecnologia e crédito. Quase 70% da produção agrícola nacional abastece a indústria de alimentos, que se tornou uma espécie de “supermercado” global. No primeiro semestre de 2026, as exportações da indústria de alimentos somaram US$ 33 bilhões (R$ 170 bilhões), alta de 8,5% em receita.
Para o trabalhador de Perus e região, a mensagem é clara: a indústria tradicional que empregava gerações está perdendo espaço. A participação da indústria de transformação no PIB caiu de 15,7% para 9,8% desde 1995, uma redução de 38%. Enquanto isso, estados como Mato Grosso registram crescimento de produtividade nove vezes acima da média nacional.
A migração de trabalhadores agrícolas para o setor de serviços intensifica a pressão no mercado de trabalho urbano. Mesmo com salários no agro tendo avançado 35,2% entre 2022 e 2025 (acima dos 24,8% da média de todos os setores), 94,8% dos produtores relatam dificuldade para contratar mão de obra. Isso significa menos oportunidades nas cidades e maior competição por postos de trabalho.
Estados antes periféricos como Piauí, Maranhão e Tocantins passaram a concentrar alguns dos maiores ganhos de eficiência econômica. Segundo dados do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), a probabilidade média de crianças brasileiras estarem entre os 10% mais ricos quando adultas é de 1,8%. No Centro-Oeste, ela chega a 2,86%. Em municípios como Sapezal (MT), salta para 3,9%.
A razão? Quem investe no agro acaba aplicando seu dinheiro na região em que está. Em vez de comprar imóvel no Rio ou em São Paulo, constrói localmente. Os filhos dessas pessoas abrem escritórios de advocacia ou consultórios, multiplicando oportunidades. Há uma multiplicação de renda que não acontece mais no Sudeste.
Para São Paulo e a Zona Noroeste, o desafio é claro: a cidade precisa se reinventar. A indústria tradicional que construiu a metrópole está em declínio estrutural, e o agronegócio, embora importante, não gera os mesmos postos de trabalho urbano que a manufatura oferecia. A mobilidade pela Linha 7-Rubi e pelas rodovias Anhanguera e Bandeirantes, que conectam a região ao interior, agora servem também para escoar a produção agrícola, não apenas para trazer trabalhadores para a capital.
Destaques do Conhecimento
- Produtividade agrícola cresceu 80,1% entre 2002 e 2019, enquanto a indústria avançou apenas 5,4%
- São Paulo registrou crescimento de apenas 1,2% em produtividade, enquanto Piauí liderou com 103%
- Indústria de transformação caiu de 15,7% para 9,8% do PIB desde 1995 (redução de 38%)
- Exportações de alimentos somaram US$ 33 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 8,5%
- Salários no agro avançaram 35,2% entre 2022 e 2025, acima da média nacional de 24,8%
- Mato Grosso registra crescimento de produtividade nove vezes acima da média nacional
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online







































