Haddad promete “pente-fino” nos contratos da Sabesp e quer trocar gestor em vez de reestatizar. Candidato ao governo de SP reconhece que contas de água subiram e serviço piorou na capital.
Fernando Haddad, pré-candidato petista ao Palácio dos Bandeirantes, descartou a reestatização da Sabesp durante sabatina conjunta UOL/Folha realizada nesta segunda-feira. Para o político, a solução mais viável passa por renegociar os termos do contrato e substituir a administração da companhia de saneamento.
“Não gosto de vender ilusão. Reestatizar é uma coisa muito complicada”, afirmou Haddad. Segundo ele, os contratos de concessão possuem cláusulas que tornam a reversão ao setor público mais custosa do que impor novas regras ao operador privado.

O candidato reconheceu que os paulistanos enfrentam problemas reais com o abastecimento de água. Reclamações no Procon aumentaram, bairros inteiros ficam sem água e as contas subiram — contrariando promessas feitas na época da privatização. “Tem fórmulas que vão ter que ser repensadas. Não vai ser um trabalho simples colocar as contas e os contratos de privatização em ordem”, disse.
Haddad usou o caso da Enel como exemplo de alternativa à reestatização. Segundo ele, é possível exigir mudanças na gestão e até associar a empresa a novos parceiros com expertise em distribuição de energia — uma estratégia que poderia ser aplicada à Sabesp.
Na avaliação do petista, a economia de São Paulo está desacelerada. Ele citou dados que mostram crescimento de apenas 0,4% a 0,5% no estado, contra 2% a 2,3% no Brasil. Para Haddad, essa informação é crucial para o eleitor tomar sua decisão no dia 4 de outubro.
Sobre segurança pública, Haddad defendeu câmeras nos uniformes dos policiais militares com gravação contínua — criticando a decisão de Tarcísio de permitir que agentes acionem os equipamentos manualmente. O candidato também propõe usar inteligência artificial para agilizar o processamento de boletins de ocorrência, permitindo que cidadãos registrem crimes via WhatsApp.
Questionado sobre a investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, Haddad criticou vazamentos de inquérito à mídia. “Qualquer vazamento de informações de um inquérito sob sigilo é crime”, afirmou, destacando que Lula não substituiu ministros para proteger o filho — diferentemente do que fez Bolsonaro.
Nas pesquisas mais recentes, Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece à frente com 52% dos votos válidos em primeiro turno. Haddad reconheceu que a disputa não o favorece, mas reafirmou seu compromisso com os próximos 50 dias de campanha.
Destaques do Conhecimento
- Haddad descarta reestatização da Sabesp e propõe renegociação de contratos com troca de gestor
- Candidato reconhece aumento de reclamações no Procon e elevação nas contas de água dos paulistanos
- Proposta inclui câmeras contínuas em uniformes de PMs e registro de BO via WhatsApp com IA
- Economia de SP cresce 0,4% a 0,5% contra 2% a 2,3% do Brasil, segundo Haddad
- Pesquisas apontam Tarcísio à frente com 52% dos votos válidos em primeiro turno
Fonte original: UOL | Adaptação: Equipe Perus Online




































