Gigante petroquímica Braskem protocola recuperação extrajudicial com dívida bilionária. Decisão afeta mercado de trabalho e preços de produtos químicos que chegam até a Zona Noroeste de São Paulo.
A Braskem, uma das maiores petroquímicas do Brasil, protocolou nesta segunda-feira (24) seu pedido de recuperação extrajudicial na Justiça. A empresa reconheceu uma dívida de US$ 10,9 bilhões (aproximadamente R$ 56,2 bilhões) e já conseguiu apoio preliminar de 39,6% dos credores para renegociar os débitos.
O movimento marca um ponto de inflexão para a indústria química brasileira. A companhia, controlada pela gestora IG4 (50,1%) e pela Petrobras (47%), pretende postergar o pagamento das dívidas tanto do principal quanto dos juros durante o período de negociação.

O que muda para quem vive em São Paulo?
A Braskem fornece matérias-primas para indústrias de plástico, embalagens e produtos químicos que abastecem o mercado paulista. Com a recuperação extrajudicial, a empresa promete manter o fluxo de pagamentos a fornecedores e funcionários, o que deve preservar a cadeia de suprimentos local. Porém, a reestruturação pode impactar preços de produtos derivados de petroquímicos nos próximos meses.
A empresa enfrenta uma crise de liquidez provocada pelo ciclo prolongado de baixa na indústria petroquímica global, com queda de demanda, excesso de oferta mundial e compressão de margens. Além disso, pesa sobre a Braskem o passivo ambiental do afundamento do solo em Maceió (AL), causado pela extração inadequada de sal-gema em minas subterrâneas, que deixou mais de 60 mil pessoas desabrigadas.
A reestruturação envolverá apenas dívidas financeiras. Assinam o pedido a Braskem S.A. e cinco companhias do grupo constituídas no exterior. O plano cobre o passivo financeiro quirografário (sem garantia real) da companhia, basicamente composto por créditos intercompany e títulos de renda fixa.
A empresa se comprometeu a atingir, em 90 dias, o quórum estabelecido por lei para homologar o plano na Justiça, que exige que mais da metade dos credores referendem os termos propostos. Durante os próximos três meses, a Braskem vai negociar um plano atualizado que será submetido à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
As ações da empresa na B3 fecharam o dia em queda de 6,7%, a R$ 4,73, refletindo a incerteza do mercado sobre o processo de reestruturação.
Destaques do Conhecimento
- Braskem protocolou recuperação extrajudicial com dívida de US$ 10,9 bilhões (R$ 56,2 bilhões)
- Empresa conseguiu apoio preliminar de 39,6% dos credores para renegociar débitos
- Reestruturação afeta apenas dívidas financeiras; pagamentos a fornecedores e funcionários serão mantidos
- Crise provocada por ciclo baixo da petroquímica global e passivos ambientais em Maceió
- Empresa tem 90 dias para atingir quórum legal e homologar plano na Justiça
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online






































