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Investigação do Caso Dark Horse Completa 100 Dias: Flávio Bolsonaro Ainda Não Divulga Contratos Prometidos

A investigação sobre a transação financeira envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro atinge a marca de cem dias nesta sexta-feira (21 de agosto), sem que os documentos prometidos tenham sido tornados públicos. O caso, que ganhou repercussão nacional após revelações sobre investimentos em produção cinematográfica, permanece sob análise da Polícia Federal desde julho, enquanto o candidato à Presidência mantém silêncio sobre a prestação de contas que se comprometeu a apresentar em maio.

O compromisso inicial de Flávio Bolsonaro era claro: abrir integralmente o contrato de financiamento, apresentar uma prestação de contas detalhada e cumprir o prazo de 30 dias estabelecido. Passados mais de cem dias, os documentos não foram divulgados e o senador passou a tratar o episódio como “página virada”. A Polícia Federal, por sua vez, só formalizou o inquérito em 23 de julho, após 71 dias da primeira reportagem que revelou áudios, mensagens e documentos sobre a negociação de recursos entre os dois.

Conforme apurado, até o início desta semana a corporação não havia encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça pedidos de quebra de sigilo bancário, telemático, busca e apreensão ou outras medidas investigativas relacionadas ao caso. O deputado Lindbergh Farias chegou a solicitar à PF a quebra de sigilos do escritório ligado a Flávio, mas até o período consultado não havia requerimentos desse tipo encaminhados ao Supremo Tribunal Federal.

Enquanto a investigação segue em estágio inicial, a cobrança sobre o senador permanece válida. Flávio não necessita de diligências ou autorizações judiciais para apresentar aquilo que voluntariamente se comprometeu a tornar público. O contrato de financiamento e os documentos que identificam a origem dos aportes e demonstram a destinação dos recursos continuam sem divulgação integral.

Novos elementos surgiram após a revelação inicial. Três notas fiscais no valor total de R$ 1,5 milhão foram emitidas pelo escritório ligado a Flávio para empresas associadas ao entorno empresarial de Vorcaro. Duas notas de R$ 500 mil foram emitidas em abril de 2025 para a Copenhagen Consultoria e Assessoria e canceladas no mesmo dia. Uma terceira, também de R$ 500 mil, foi destinada à Contábil Correa sem registro de cancelamento.

A atuação legislativa de Flávio também passou a integrar os fatos levantados. A Emenda 157 à Medida Provisória 1.308/2025 reduzia a exposição jurídica de instituições financeiras que financiassem empreendimentos sujeitos a licenciamento ambiental. Naquele período, o Banco Master tinha operações relevantes em setores diretamente afetados por regras ambientais, incluindo um financiamento de R$ 152,9 milhões à 3D Minerals.

Segundo os registros revelados, Flávio e Vorcaro tiveram contato a partir de dezembro de 2024. Nos meses seguintes, as conversas passaram a incluir acompanhamento e cobrança de pagamentos. Documentos reproduziram informações segundo as quais o senador solicitava recursos e acompanhava os repasses, inclusive diante de atrasos relacionados a compromissos da produção com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.

Ao ser procurado antes da publicação, Flávio inicialmente classificou a informação como “mentira”. Depois da divulgação dos áudios, confirmou ter buscado recursos com Vorcaro e afirmou que se tratava de financiamento privado para um filme privado. Negou ter recebido dinheiro ou comissão e afirmou não ter oferecido qualquer contrapartida ao banqueiro.

Em 15 de maio, dois dias depois da revelação, Flávio disse estar “100% disposto” a tornar público o contrato de investimento. Quatro dias depois, anunciou ter solicitado uma prestação de contas completa da produção, com prazo de 30 dias. O contrato não foi divulgado e, posteriormente, a defesa da Go Up Entertainment, produtora do filme, apresentou uma perícia privada que declarou custo de aproximadamente US$ 13,4 milhões.

O laudo não identificou nominalmente os financiadores finais do fundo, e Vorcaro não aparece como financiador no documento. Os valores conhecidos desde maio variam: a negociação inicial chegava a US$ 24 milhões; Flávio afirmou posteriormente que Vorcaro havia investido pouco mais de US$ 12 milhões; as transferências reveladas somavam ao menos US$ 10,6 milhões; e a perícia apontou US$ 13,3 milhões em aportes do fundo.

Destaques do Conhecimento

  • Cem dias se completam sem divulgação integral dos contratos prometidos por Flávio Bolsonaro em maio
  • Polícia Federal abriu inquérito em 23 de julho, mas ainda não encaminhou pedidos de medidas investigativas invasivas
  • Notas fiscais de R$ 1,5 milhão emitidas pelo escritório de Flávio para empresas ligadas ao entorno de Vorcaro
  • Emendas legislativas de Flávio beneficiavam setores nos quais o grupo de Vorcaro mantinha interesses econômicos
  • Valores do financiamento variam entre US$ 10,6 milhões e US$ 24 milhões conforme a fonte

Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Perus Online

Caption: Investigação sobre transação financeira entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro completa 100 dias sem divulgação de contratos prometidos