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Tribunal de Contas investiga desperdício de R$ 50 milhões em contratos de alimentação para imigrantes

Tribunal de Contas da União questiona decisão do Ministério da Defesa de manter contrato antigo para refeições de imigrantes em Roraima, após dois novos acordos de R$ 50,5 milhões não saírem do papel. A situação evidencia problemas na gestão de recursos públicos que afetam diretamente o orçamento federal.

O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu investigação sobre uma decisão questionável do Ministério da Defesa: manter um contrato antigo para fornecer refeições a migrantes e refugiados em Roraima, mesmo após assinar dois novos contratos que somavam R$ 50,5 milhões, mas nunca foram executados.

O ministro Jorge Oliveira determinou que a área técnica do tribunal examine as justificativas da Defesa para essa escolha. O contrato com a Paladarnutri, fornecedora que atende a Operação Acolhida desde 2023, foi prorrogado até 26 de setembro de 2026.

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Operação Acolhida atende imigrantes e refugiados em Roraima com estrutura de alimentação questionada pelo TCU

A situação começou quando a AJ Refeições, vencedora de parte de uma licitação para fornecer alimentação à operação, desistiu de dois contratos cerca de um mês após assiná-los. Os acordos, destinados ao fornecimento de almoço e jantar em Boa Vista, valiam R$ 24,87 milhões e R$ 25,65 milhões, respectivamente.

A empresa alegou que havia transcorrido quase um ano entre a realização da licitação e a formalização dos contratos, provocando incertezas financeiras. Com a saída da empresa, o Ministério da Defesa optou por simplesmente prorrogar o contrato anterior, em vez de realizar um novo processo de contratação.

O contexto da licitação

Os contratos fazem parte de uma licitação bem maior. O Pregão 90024/2024 foi aberto para contratar o fornecimento de refeições prontas em Boa Vista e Pacaraima, cidades que concentram a estrutura da Operação Acolhida. O valor estimado inicialmente era de R$ 180,1 milhões.

O processo resultou na assinatura de seis contratos: quatro com a ISM Gomes de Mattos e dois com a AJ Refeições. Curiosamente, a licitação produziu um resultado que chamou atenção do próprio TCU: desconto médio de 50,3% em relação ao orçamento estimado, com preços significativamente inferiores aos praticados no contrato anterior.

Histórico de questionamentos

A permanência da Paladarnutri também chama atenção pelo histórico de tentativas de substituição. A empresa já havia recorrido ao TCU contra outra licitação destinada ao fornecimento de alimentação para a Operação Acolhida em 2024, sustentando que mantinha contratos vigentes que poderiam ser prorrogados.

Naquela ocasião, o tribunal não encontrou irregularidade na decisão de realizar uma nova licitação. No pregão seguinte, a empresa voltou ao TCU e conseguiu a suspensão temporária do processo. A cautelar foi posteriormente revogada, os novos contratos foram autorizados, mas a AJ desistiu antes de começar.

Redução no atendimento

O acompanhamento também ocorre em um momento de forte redução do número de pessoas atendidas pela Operação Acolhida. Atualmente são atendidas cerca de 3 mil pessoas em Boa Vista e outras 850 em Pacaraima, totalizando 3.850. No período de maior fluxo migratório venezuelano, aproximadamente 12 mil pessoas chegaram a permanecer simultaneamente nos abrigos.

A diferença representa uma redução de aproximadamente 68% em relação ao pico registrado pela operação, o que torna ainda mais questionável a manutenção de contratos com valores tão elevados.

Destaques do Conhecimento

  • TCU investiga por que Ministério da Defesa manteve contrato antigo após dois novos acordos de R$ 50,5 milhões não serem executados
  • Licitação original estimada em R$ 180,1 milhões produziu desconto de 50,3%, mas novos contratos foram abandonados pela empresa vencedora
  • Operação Acolhida reduziu atendimento em 68%, passando de 12 mil para 3.850 pessoas, questionando a necessidade de contratos de alto valor

Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Equipe Perus Online