--°C em Perus
AO VIVO Rádio Conexão | Perus Online
ÚLTIMAS
Carregando notícias de Perus...

Trump monitora eleição brasileira e gera preocupação com interferência dos EUA; impacto pode afetar economia paulista

Trump afirma acompanhar eleições brasileiras 'de perto' em meio a receios de interferência americana. Declaração ocorre três dias antes do primeiro turno e enquanto governo dos EUA planeja destinar US$ 1 milhão para financiar grupos contrários ao STF.

O presidente americano Donald Trump declarou nesta quinta-feira (1º) que acompanha o pleito brasileiro “de perto” e o classificou como “muito importante”. A fala, feita na Casa Branca a jornalistas, não indicou apoio a nenhum candidato específico, mas reforça a atenção de Washington sobre o processo eleitoral brasileiro.

Trump elogiou o Brasil, chamando-o de “ótimo país” e afirmando que “as pessoas do Brasil são fantásticas”. Porém, a declaração chega em momento delicado: reportagem do jornal britânico The Guardian revelou que o governo Trump planeja enviar aproximadamente US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões) para financiar grupos contrários ao Supremo Tribunal Federal, acusando a corte de extrapolar atribuições judiciais.

Donald Trump em entrevista na Casa Branca sobre eleições brasileiras
Trump durante entrevista a jornalistas na Casa Branca. Foto: Evan Vucci/Reuters

Escalada de tensão entre Brasil e EUA

A preocupação com interferência americana não é nova. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou a possibilidade de influência externa dos EUA nas eleições a um “nível de criticidade”. Desde que retornou à Casa Branca, Trump travou guerra tarifária contra o Brasil, impondo sobretaxas de 50%, 25% e 12,5% sobre importações brasileiras.

Em julho de 2025, Trump escreveu carta a Lula mencionando Bolsonaro como “líder altamente respeitado” vítima de “caça às bruxas”. Meses depois, em junho deste ano, Trump recebeu Flávio Bolsonaro no Salão Oval, gesto interpretado como proximidade com um dos principais adversários de Lula na disputa presidencial.

Impacto na economia paulista e mobilidade

Para quem vive em São Paulo e na Zona Noroeste, as tensões comerciais entre Brasil e EUA têm reflexo direto no bolso. As tarifas americanas encarecem produtos importados, afetando preços de combustíveis, alimentos e bens de consumo. Trabalhadores que dependem de transporte público pela Linha 7-Rubi, Anhanguera e Bandeirantes sentem o impacto na inflação de passagens e custos de vida.

A guerra comercial também pressiona o dólar, tornando viagens e compras internacionais mais caras. Pequenos negócios na região que importam insumos enfrentam custos crescentes.

Diplomacia e pressão política

A tensão diplomática escalou em múltiplas frentes. Em julho, o Brasil negou vistos a dois altos funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar a Brasília para questionar a integridade do sistema eleitoral. Os EUA responderam revogando o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Trump também criou o “Escudo das Américas”, iniciativa que reúne governos da região em torno de cooperação econômica e segurança, mas deixou o Brasil de fora. Aliados de Flávio Bolsonaro afirmam que, caso ele seja eleito, a intenção é levar o Brasil a integrar o bloco.

Tomados em conjunto, esses episódios alimentam percepção dentro e fora do governo brasileiro de que instrumentos de política comercial, segurança e diplomacia americana estão sendo usados em momento em que Washington demonstra preferência explícita por um dos campos da disputa presidencial brasileira.

Destaques do Conhecimento

  • Trump afirma acompanhar eleições brasileiras “de perto” três dias antes do primeiro turno
  • Governo americano planeja destinar US$ 1 milhão para financiar grupos contrários ao STF
  • Abin elevou interferência externa dos EUA a “nível de criticidade” nas eleições
  • Trump impôs tarifas de 50%, 25% e 12,5% sobre importações brasileiras desde 2025
  • Tensões comerciais afetam preços de combustíveis, alimentos e transporte em São Paulo
  • Trump recebeu Flávio Bolsonaro no Salão Oval em junho, sinalizando proximidade política
  • Brasil negou vistos a funcionários americanos que questionariam integridade eleitoral

Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online