**Última notícia da Agência Brasil**
# Riscos modificáveis estão associados a quase 60% dos casos de demência
**Baixa escolaridade na infância e mais 13 condições foram avaliadas**
Tâmara Freire* – Repórter da Agência Brasil Publicado em 26/08/2025 – 15:39 Rio de Janeiro
Fatores de risco modificáveis foram associados a quase 60% dos casos de demência no Brasil por um estudo liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Segundo os pesquisadores, as três condições evitáveis com maior impacto são: baixa escolaridade no início da vida, perda da capacidade visual não tratada e depressão.
**Os fatores de risco modificáveis são aqueles podem ser evitados ou atenuados por políticas públicas, intervenções de saúde ou iniciativas individuais de prevenção.** Isso os diferencia do envelhecimento e da predisposição genética, por exemplo, que também influenciam na incidência da doença.
Estudos populacionais mais recentes, do Relatório Nacional sobre a Demência, do Ministério da Saúde, estimam que **entre 12,5% e 17,5% da população idosa no Brasil tenham alguma forma da doença**, que se torna mais importante conforme aumenta o percentual de brasileiros nessa faixa etária.
“Estratégias de saúde pública podem levar a reduções mais substanciais e equitativas na prevalência e na incidência da doença e devem ser priorizadas, com foco especial no acesso educacional desde a infância, no cuidado oftalmológico acessível e na ampliação dos serviços de saúde mental, sobretudo para populações em situação de vulnerabilidade”, concluem os pesquisadores.
**A pesquisa estimou a contribuição de cada um dos 14 fatores de risco modificáveis demência**, utilizando dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A soma de todos eles pode ser associada a 59,5% dos casos de demência, proporção acima da média mundial, que é de 45%.
## Fatores de risco modificáveis
**A baixa escolaridade na fase inicial da vida foi o fator modificável com a maior porcentagem de associação a casos de demência, associada a 9,5% de casos**; seguida pela perda visual na velhice, com 9,2%; e pela depressão na meia-idade com 6,3%.
**Os outros 11 fatores modificáveis que aumentam o risco de demência, segundo a pesquisa, são:**
– isolamento social; – poluição do ar; – traumatismo cranioencefálico; – hipertensão arterial; – diabetes; – obesidade; – falta de atividade física; – tabagismo; – consumo excessivo de álcool; – perda auditiva; – e colesterol elevado.
A influência da educação no início da vida está relacionada à reserva cognitiva: **durante o aprendizado, os neurônios criam novas conexões, o que aumenta a capacidade do cérebro de compensar danos no futuro.**
“O nosso cérebro integra as informações que nós recebemos do meio externo, através da audição e da visão, com as informações que a gente já sabe do mundo. E, a partir disso, a gente programa uma resposta. Então, quando a gente tem uma perda visual, parte da nossa estimulação cerebral cessa. A gente deixa de enxergar coisas que nos ajudariam a melhorar a nossa memória e estimular nosso cérebro”, complementa a professora de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP, Cláudia Suemoto, uma das autoras da pesquisa.
## Políticas públicas preventivas
A pesquisa identificou que a contribuição da baixa escolaridade e da perda visual não tratada foi maior nas regiões mais pobres do Brasil e entre as pessoas negras. **A professora de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP enfatiza que as descobertas apontam medidas de prevenção, que podem ser tomadas individualmente, mas devem, principalmente, fundamentar políticas públicas:**
“No Brasil, nós estamos envelhecendo rapidamente, e o aumento da idade é o principal fator de risco para demência, mas esse não é modificável ─ enquanto estivermos vivos, estaremos envelhecendo. Não há país no mundo que consiga lidar com uma população envelhecida que tenha uma alta prevalência de demência. Por isso, a prevenção é essencial.
> “A gente pensa em demência como uma doença da velhice, porque ela é muito mais frequente após os 65 anos. Mas a prevenção começa cedo e deve ser feita em vários momentos da vida”, alerta Cláudia Suemoto.
A geriatra defende que os gestores devem olhar para esses fatores ─ como baixa educação, depressão e risco cardiovascular ─ e planejar intervenções e programas de saúde pública que ajudem e informem a população. “Ao aumentar a escolaridade, tratar a depressão, diagnosticar e tratar pressão alta, diabetes, colesterol, perda visual, perda auditiva, também se previne a demência”, complementa a professora da USP.
*Colaborou Ana Cristina Campos
# Riscos modificáveis estão associados a quase 60% dos casos de demência
**Baixa escolaridade na infância e mais 13 condições foram avaliadas**
Tâmara Freire* – Repórter da Agência Brasil Publicado em 26/08/2025 – 15:39 Rio de Janeiro
Fatores de risco modificáveis foram associados a quase 60% dos casos de demência no Brasil por um estudo liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Segundo os pesquisadores, as três condições evitáveis com maior impacto são: baixa escolaridade no início da vida, perda da capacidade visual não tratada e depressão.
**Os fatores de risco modificáveis são aqueles podem ser evitados ou atenuados por políticas públicas, intervenções de saúde ou iniciativas individuais de prevenção.** Isso os diferencia do envelhecimento e da predisposição genética, por exemplo, que também influenciam na incidência da doença.
Estudos populacionais mais recentes, do Relatório Nacional sobre a Demência, do Ministério da Saúde, estimam que **entre 12,5% e 17,5% da população idosa no Brasil tenham alguma forma da doença**, que se torna mais importante conforme aumenta o percentual de brasileiros nessa faixa etária.
“Estratégias de saúde pública podem levar a reduções mais substanciais e equitativas na prevalência e na incidência da doença e devem ser priorizadas, com foco especial no acesso educacional desde a infância, no cuidado oftalmológico acessível e na ampliação dos serviços de saúde mental, sobretudo para populações em situação de vulnerabilidade”, concluem os pesquisadores.
**A pesquisa estimou a contribuição de cada um dos 14 fatores de risco modificáveis demência**, utilizando dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A soma de todos eles pode ser associada a 59,5% dos casos de demência, proporção acima da média mundial, que é de 45%.
## Fatores de risco modificáveis
**A baixa escolaridade na fase inicial da vida foi o fator modificável com a maior porcentagem de associação a casos de demência, associada a 9,5% de casos**; seguida pela perda visual na velhice, com 9,2%; e pela depressão na meia-idade com 6,3%.
**Os outros 11 fatores modificáveis que aumentam o risco de demência, segundo a pesquisa, são:**
– isolamento social; – poluição do ar; – traumatismo cranioencefálico; – hipertensão arterial; – diabetes; – obesidade; – falta de atividade física; – tabagismo; – consumo excessivo de álcool; – perda auditiva; – e colesterol elevado.
A influência da educação no início da vida está relacionada à reserva cognitiva: **durante o aprendizado, os neurônios criam novas conexões, o que aumenta a capacidade do cérebro de compensar danos no futuro.**
“O nosso cérebro integra as informações que nós recebemos do meio externo, através da audição e da visão, com as informações que a gente já sabe do mundo. E, a partir disso, a gente programa uma resposta. Então, quando a gente tem uma perda visual, parte da nossa estimulação cerebral cessa. A gente deixa de enxergar coisas que nos ajudariam a melhorar a nossa memória e estimular nosso cérebro”, complementa a professora de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP, Cláudia Suemoto, uma das autoras da pesquisa.
## Políticas públicas preventivas
A pesquisa identificou que a contribuição da baixa escolaridade e da perda visual não tratada foi maior nas regiões mais pobres do Brasil e entre as pessoas negras. **A professora de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP enfatiza que as descobertas apontam medidas de prevenção, que podem ser tomadas individualmente, mas devem, principalmente, fundamentar políticas públicas:**
“No Brasil, nós estamos envelhecendo rapidamente, e o aumento da idade é o principal fator de risco para demência, mas esse não é modificável ─ enquanto estivermos vivos, estaremos envelhecendo. Não há país no mundo que consiga lidar com uma população envelhecida que tenha uma alta prevalência de demência. Por isso, a prevenção é essencial.
> “A gente pensa em demência como uma doença da velhice, porque ela é muito mais frequente após os 65 anos. Mas a prevenção começa cedo e deve ser feita em vários momentos da vida”, alerta Cláudia Suemoto.
A geriatra defende que os gestores devem olhar para esses fatores ─ como baixa educação, depressão e risco cardiovascular ─ e planejar intervenções e programas de saúde pública que ajudem e informem a população. “Ao aumentar a escolaridade, tratar a depressão, diagnosticar e tratar pressão alta, diabetes, colesterol, perda visual, perda auditiva, também se previne a demência”, complementa a professora da USP.
*Colaborou Ana Cristina Campos







































