Após condenações por tentativa de golpe, candidatos militares e policiais diminuem 36% em relação a 2022. Mas o número ainda é maior que antes da era Bolsonaro, impactando a política paulista e as eleições que definem o futuro de São Paulo.
Na primeira eleição depois que integrantes das Forças Armadas e forças de segurança foram condenados por tentativa de golpe, o número de candidatos que se declaram militares ou policiais caiu significativamente. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), pelo menos 1.224 candidatos integram ou já integraram as Forças Armadas ou forças de segurança. Isso representa 5,9% do total de candidatos em 2026.
Em 2022, esse número era de 1.924 candidatos, ou 6,6% do total. A redução de 36,4% é maior que a queda geral de candidaturas registrada pelo TSE, que foi de 29,1%. Apesar disso, o número de fardados tentando virar políticos ainda supera o que havia em 2014, quando 1.190 se candidataram, representando 4,5% do universo geral.

Entre os candidatos que se declaram militares, os policiais militares continuam sendo a maioria. Na corrida atual, 577 se declaram PMs, representando 47,1% do total do segmento. Policiais civis somam 116 candidatos (9,5% do segmento). Já os que se declaram militares reformados caíram de 256 em 2022 para 95 em 2026.
O PL é o partido com maior número de candidatos militares e policiais, com 195 nomes. Em segundo lugar está o Republicanos (121) e em terceiro o Podemos (98). Entre os nomes mais conhecidos está Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo e capitão da reserva do Exército, que lidera as pesquisas para se reeleger.
Embora o Estatuto dos Militares proíba que integrantes das Forças Armadas usem patentes em atividades político-partidárias, a maioria dos candidatos ignora a lei. Generais como Eduardo Pazuello (PL-RJ), ministro da Saúde de Bolsonaro durante a pandemia, se elegeu deputado federal em 2022 e agora tenta a reeleição com o nome “General Pazuello” na urna.
O dano à imagem das Forças Armadas decorrente das condenações por golpismo levou os atuais comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica a buscar coibir a candidatura de militares da ativa. O Exército informou que neste ano apenas 5 dos seus 50 candidatos são da ativa, comparado com 107 em 2022. A Marinha reduziu de 16 candidatos da ativa em 2022 para 8 em 2026.
Destaques do Conhecimento
- Candidatos militares e policiais caíram 36,4% em relação a 2022, mas ainda superam números de 2014
- Policiais militares representam 47,1% dos candidatos do segmento, mantendo a maioria histórica
- PL lidera com 195 candidatos militares e policiais, seguido por Republicanos (121) e Podemos (98)
- Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de SP, é o militar mais conhecido em disputa eleitoral
- Forças Armadas reduziram candidatos da ativa após condenações por tentativa de golpe em 2025
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online







































