Enquanto Lula mantém força no Nordeste, candidatos de centro-direita ganham espaço em disputas estaduais sem confrontar o presidente. A mudança no voto regional pode impactar a polarização nacional e refletir em São Paulo.
A dinâmica política do Nordeste está em transformação. Embora o presidente Lula continue com apoio expressivo na região — 53% das intenções de voto contra 25% para Flávio Bolsonaro — candidatos de centro-direita conseguem avançar em disputas estaduais sem enfrentar diretamente o petista. A estratégia muda o tabuleiro eleitoral e oferece pistas sobre como a polarização pode evoluir em outras regiões, incluindo São Paulo.
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) busca se descolar da eleição presidencial, preservando pontes com o petismo enquanto atrai bolsonaristas. Seu adversário, João Campos (PSB), tenta nacionalizar a disputa entre aliados de Lula e Flávio. A estratégia de Lyra — ganhar votos dos dois lados sem confrontar Lula — está funcionando entre eleitores que votam no presidente para a Presidência, mas escolhem candidatos conservadores para governos estaduais.

No Ceará, o tucano Ciro Gomes tenta voltar ao governo sem apoiar Flávio Bolsonaro, mas com o respaldo da direita organizada. A região do Cariri — que votou em Lula com mais de 70% em 2022 — agora avalia outras opções para cargos estaduais. Eleitores como Maria Aparecida de Melo, 69, afirmam que votariam em Lula “50 vezes”, mas ainda hesitam entre Ciro e outras opções para o governo estadual.
A separação entre votos nacional e local é mais clara nas eleições municipais. Em 2024, partidos como União Brasil, PP, PSD e PL elegeram prefeitos de sete das nove capitais nordestinas. Conservadores também ampliaram presença em cidades médias como Vitória da Conquista (BA), Porto Seguro (BA), Campina Grande (PB) e Mossoró (RN).
Na Bahia, a oposição ao PT venceu em sete das dez maiores cidades em 2024, incluindo Salvador. Mas a popularidade de Lula segue intacta. Aliados do candidato ao governo ACM Neto (União Brasil) apostam em estratégia de “voto Lula-Neto”, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) tenta transformar a popularidade presidencial em voto casado.
A direita ideológica também se organiza. Grupos conservadores em cidades como Barbalha (CE) discutem pautas ideológicas, apontando contradições entre o voto de esquerda para a Presidência e as marcas conservadoras da região, ligadas ao cristianismo. Alguns chegam a apostar em movimentos alternativos, como o monarquismo.
Destaques do Conhecimento
- Lula tem 53% de intenção de voto no Nordeste contra 25% para Flávio Bolsonaro, mas candidatos de centro-direita avançam em disputas estaduais
- Partidos como PSD, União Brasil, PP e PL elegeram prefeitos de sete das nove capitais nordestinas em 2024
- Eleitores nordestinos combinam apoio ao presidente com escolhas conservadoras para governos estaduais, criando uma nova dinâmica política
- A estratégia de candidatos como Raquel Lyra (PSD) é ganhar votos dos dois lados sem confrontar Lula, mudando o tabuleiro eleitoral
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online







































