A Casas Bahia, uma das maiores redes varejistas do Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial neste domingo (16) com dívida de R$ 17,3 bilhões. A crise afeta diretamente trabalhadores de São Paulo e região, com demissão de cerca de 3 mil funcionários e fechamento de quase 300 lojas.
O Grupo Casas Bahia protocolou o pedido na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Justiça de São Paulo. A ação engloba dez empresas da holding, incluindo as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o e-commerce Extra.com e a fabricante de móveis Bartira, além de subsidiárias de logística e tecnologia.

Das dívidas declaradas, R$ 16,4 bilhões são com credores quirografários (sem garantia), R$ 754 milhões com credores trabalhistas e R$ 154 milhões com microempresas e pequenos negócios. A empresa informou a demissão de aproximadamente 3 mil funcionários de um total de 30.117 colaboradores, além do fechamento de quase 300 lojas.
A crise da varejista está relacionada aos pesados investimentos em tecnologia, logística e lojas digitais iniciados em 2019, somados aos impactos da pandemia que paralisou as operações físicas. Quando a Selic estava na mínima histórica de 2% ao ano, entre o final de 2020 e início de 2021, a empresa acelerou a transformação digital. Porém, o salto dos juros até 15% ao ano desorganizou completamente a estrutura financeira.
O modelo de negócio da Casas Bahia é altamente dependente de capital de giro, financiamento de estoques e crédito direto ao consumidor. Com a escalada dos juros e inflação, houve encarecimento do crédito, compressão da renda das famílias de menor poder aquisitivo e avanço da inadimplência nos carnês e cartões. Além disso, a concorrência de plataformas digitais intensificou a pressão sobre as operações.
A empresa havia tentado se recuperar com um plano de transformação iniciado em 2023, que incluiu corte de despesas, redução de estoques e fechamento de 55 lojas deficitárias. Porém, essas medidas geraram apenas alívio pontual.
Neste domingo, a Casas Bahia anunciou um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre, ante perda de R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior. O patrimônio líquido está negativo em R$ 8,1 bilhões, o que significa que, mesmo vendendo todos os seus bens e direitos a receber, ainda faltariam bilhões para pagar os credores. A empresa registra seu oitavo trimestre seguido de perdas.
As ações da Casas Bahia (BHIA3) despencaram 31,81% no início do pregão, cotadas a R$ 0,45. O valor de mercado da varejista em Bolsa é de R$ 660 milhões. A empresa não é mais controlada pela família Klein; atualmente, a gestora Mapa Capital é acionista de referência, com 85,5% do capital.
Impacto em São Paulo e Zona Noroeste: Para trabalhadores de Perus, Anhanguera e Jaraguá, a notícia representa mais uma onda de desemprego em um cenário econômico já desafiador. Muitos paulistanos que dependem do crédito oferecido pela Casas Bahia para adquirir eletrodomésticos e móveis enfrentarão restrições ainda maiores. A recuperação judicial pode levar meses, deixando incerteza sobre o futuro das lojas físicas na região.
Destaques do Conhecimento
- Casas Bahia pede recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões, sendo R$ 16,4 bilhões com credores sem garantia
- Empresa demitirá cerca de 3 mil funcionários e fechará quase 300 lojas de um total de mais de 700 unidades
- Prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre; patrimônio líquido negativo em R$ 8,1 bilhões
- Crise causada por investimentos pesados em tecnologia durante juros baixos, seguidos de alta abrupta da Selic para 15% ao ano
- Oitavo trimestre seguido de perdas; ações caem 31,81% no pregão
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online








































