Entrada recorde de dólares no Brasil reverte saída de 2025 e aquece mercado financeiro. Investidores estrangeiros apostam no país como refúgio seguro entre emergentes, impulsionando Bolsa e câmbio.
O Brasil registrou sua melhor entrada de dólares no primeiro semestre desde 2018. Segundo o Banco Central, o saldo ficou positivo em US$ 17,78 bilhões (R$ 91 bilhões) entre janeiro e junho. O resultado marca uma virada completa em relação a 2025, quando o país enfrentou a maior saída de divisas da série histórica: US$ 14,34 bilhões negativos no mesmo período.

Dois fatores principais explicam essa recuperação. Primeiro, as exportações brasileiras ganharam força com a alta do petróleo no mercado internacional. Segundo, investidores estrangeiros buscam diversificar seus portfólios em países emergentes estáveis, especialmente com a queda dos juros americanos e as incertezas do governo Trump.
“Para o investidor, é difícil achar países grandes com estabilidade, especialmente entre emergentes. E aí, o Brasil se destaca”, afirma Henrique Aguiar, diretor da Nova Futura. Na Bolsa de Valores (B3), o saldo de investimento estrangeiro ficou positivo em R$ 36,7 bilhões de janeiro a junho, acima dos R$ 26,9 bilhões do mesmo período de 2025.
Reflexo no bolso do paulista: O dólar cai 6% ante o real em 2026, cotado atualmente a R$ 5,12. Isso significa que quem compra produtos importados ou viaja para o exterior paga menos. O Ibovespa, por sua vez, sobe 5,9%, chegando a 172 mil pontos, beneficiando quem investe em ações.
Porém, economistas alertam para uma possível reversão no segundo semestre. As previsões indicam que os juros americanos e a Selic brasileira não devem cair tanto quanto esperado. Além disso, as tensões no Oriente Médio e a proximidade das eleições presidenciais no Brasil aumentam a aversão ao risco dos investidores.
O Itaú BBA revisou suas projeções de câmbio para R$ 5,30 em 2026 (antes era R$ 5,15) e para R$ 5,50 em 2027 (antes era R$ 5,35). O BTG Pactual também atualizou sua previsão para o fim de 2026 de R$ 4,90 para R$ 5,40, citando dados mais fortes da economia americana e inflação resiliente.
Outro ponto de preocupação é a inflação. Com a alta de insumos como fertilizantes por causa do conflito no Oriente Médio e a chegada do El Niño, alimentos devem continuar pressionados, o que pode levar a novos aumentos de juros.
Destaques do Conhecimento
- Brasil teve entrada de US$ 17,78 bilhões no primeiro semestre de 2026, melhor resultado desde 2018
- Reversão completa em relação a 2025, quando houve saída de US$ 14,34 bilhões
- Dólar cai 6% ante o real em 2026; Ibovespa sobe 5,9% no mesmo período
- Investimento estrangeiro na B3 cresceu de R$ 26,9 bilhões (2025) para R$ 36,7 bilhões (2026)
- Economistas preveem reversão de tendência no segundo semestre com aumento de juros
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online






































