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Operação Hipócrates II: Falsos Médicos Causam Morte de Paciente na Zona Leste; Investigação Aponta 9 Óbitos Suspeitos

Operação da Polícia Civil desmantelou esquema de falsos médicos que atuavam em hospital particular na Zona Leste de São Paulo. Uma fisioterapeuta com dengue morreu após sofrer parada cardíaca, e os suspeitos não souberam realizar manobras básicas de reanimação.

A Operação Hipócrates II revelou um caso grave de exercício ilegal da medicina em São Paulo. Dois homens foram investigados por realizarem aproximadamente 2 mil atendimentos ilegais em dois anos, com pelo menos nove óbitos associados a mau atendimento no Hospital de Clínicas Jardim Helena, localizado na Zona Leste.

O principal suspeito, Marcos Phelipe de Barros, utilizava documentação falsificada de um médico chamado Nicolas Joseph Della Matta para atuar na unidade hospitalar. O segundo investigado, Maike César Silva, fugiu para o Chile e é considerado foragido pela Justiça brasileira. Segundo a polícia, ambos realizavam atendimentos emergenciais, inclusive por telemedicina a partir de suas residências.

Um dos casos mais graves envolve uma fisioterapeuta diagnosticada com dengue que sofreu uma parada cardíaca durante o atendimento. Conforme relatado pelo delegado José Mariano Filho, responsável pela investigação, os falsos médicos não souberam executar manobras básicas de reanimação cardiopulmonar, resultando na morte da paciente em 2024.

Outro caso investigado aponta negligência médica grave. Uma mulher com problemas cardíacos ficou oito horas sem receber um exame cardíaco essencial que teria detectado um aneurisma na aorta. O laudo do Instituto Médico Legal confirmou que o erro de procedimento causou o óbito.

A investigação também revelou que a direção do hospital havia sido alertada sobre irregularidades em dezembro do ano anterior. Apesar disso, os falsos médicos continuaram atuando. A Justiça determinou o afastamento imediato da gestora do hospital e do diretor clínico da unidade.

Um detalhe que levantou suspeitas foi o pagamento diferenciado aos falsos médicos: recebiam salários significativamente inferiores aos demais profissionais da unidade, o que motivou investigações sobre possível omissão da direção hospitalar.

Segundo o secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, o pai de um dos investigados também exercia medicina ilegalmente e tinha ligações com o crime organizado, indicando uma possível rede estruturada de fraude.

A defesa dos acusados nega que atuassem como médicos, alegando que possuem outras formações na área da saúde, como biomedicina e instrumentação cirúrgica. No entanto, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) reafirmou que o exercício ilegal da profissão é caso de polícia.

Destaques do Conhecimento

  • Operação Hipócrates II investiga dois homens por cerca de 2 mil atendimentos ilegais em dois anos
  • Nove óbitos foram associados a mau atendimento realizado pelos falsos médicos no Hospital de Clínicas Jardim Helena
  • Marcos Phelipe utilizava documentação falsificada; Maike César Silva fugiu para o Chile
  • Paciente com dengue morreu após parada cardíaca porque os falsos médicos não souberam reanimar
  • Mulher cardíaca morreu após ficar 8 horas sem exame que detectaria aneurisma na aorta
  • Direção do hospital foi alertada sobre irregularidades mas não interrompeu atuação dos suspeitos
  • Falsos médicos recebiam salários inferiores, levantando suspeitas sobre omissão da gestão hospitalar

Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online