Ex-deputada bolsonarista é liberada após Justiça italiana negar extradição ao Brasil. A decisão reacende debates sobre o futuro político do bolsonarismo em São Paulo e impacta a estratégia jurídica do grupo.
A Corte Suprema de Cassação italiana, última instância da Justiça do país europeu, negou a extradição de Carla Zambelli para o Brasil. A ex-deputada federal pelo PL-SP, que estava presa desde julho no complexo penitenciário de Rebibbia em Roma, foi liberada na noite de quinta-feira (22 de maio) após a decisão dos magistrados italianos.
Para os paulistas, especialmente os moradores da Zona Noroeste e região de Perus, a notícia reacende questionamentos sobre a estrutura política que sustentou o bolsonarismo em São Paulo. Zambelli era uma das figuras mais polêmicas do grupo, conhecida por ações radicais que marcaram o período pós-2018 na capital paulista.

A decisão italiana anulou a sentença anterior da Corte de Apelação, que havia se manifestado favoravelmente à extradição. Os juízes italianos consideraram “vícios processuais” no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), além de questões relacionadas às condições carcerárias brasileiras e ao estado de saúde de Zambelli.
Zambelli enfrenta duas condenações no Brasil. A primeira é de dez anos de prisão pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. A segunda é de cinco anos por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, em episódio ocorrido em São Paulo quando apontou uma arma para um homem.
O advogado italiano Pieremilio Sammarco, que defende a ex-deputada, argumentou que o processo brasileiro apresentava contradições e omissões. “Há várias contradições e omissões na sentença da Corte de Apelação, como o fato de não ter se pronunciado sobre a averiguação das condições da Colmeia (presídio ao qual a ex-deputada seria enviada), como o tamanho das celas e a existência de serviço sanitário adequado”, afirmou.
Para o trabalhador paulistano, a liberação de Zambelli representa mais um capítulo da crise que envolve a ala radical do bolsonarismo. Enquanto isso, outras figuras ligadas ao movimento enfrentam processos judiciais no Brasil, como Daniel Vorcaro, banqueiro que financiou campanhas políticas e agora está envolvido em escândalos de corrupção.
A decisão italiana também levanta questões sobre a efetividade dos tratados de extradição e sobre como o Brasil é visto internacionalmente em relação ao sistema carcerário. A Advocacia-Geral da União (AGU), que representou o governo brasileiro na audiência, argumentou que o processo não poderia ser refeito na Itália, mas os magistrados italianos decidiram diferente.
Zambelli já está em Roma com seu marido, Aginaldo, e deve permanecer na Itália. A ex-deputada publicou vídeo nas redes sociais comemorando a decisão: “Essa vitória foi de Deus, eu consagrei nossa vitória a Deus. Ele conseguiu, deu força para os nossos advogados. Agora a gente está livre, graças a Deus, para continuar uma vida de missão”.
Destaques do Conhecimento
- Corte Suprema de Cassação italiana negou extradição de Carla Zambelli para o Brasil após anular decisão anterior favorável
- Ex-deputada enfrenta duas condenações no Brasil: dez anos pela invasão do CNJ e cinco anos por porte ilegal de arma
- Defesa argumentou vícios processuais no STF e inadequação das condições carcerárias brasileiras como motivos para rejeição
- Decisão reacende debates sobre a crise política do bolsonarismo em São Paulo e a efetividade dos tratados de extradição
Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Equipe Perus Online







































