Corte de Cassação de Roma nega extradição de Carla Zambelli para o Brasil. Ex-deputada paulista deixa prisão após quase dez meses detida na Itália, em decisão que surpreendeu tanto sua defesa quanto o governo brasileiro.
A Justiça italiana encerrou o primeiro processo de extradição contra a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) nesta quinta-feira (22). A Corte de Cassação de Roma, última instância do sistema judiciário italiano, determinou a soltura imediata da parlamentar, que estava presa desde julho de 2025 na capital italiana.
A decisão foi unânime entre os seis juízes que analisaram o recurso da defesa. O julgamento ocorreu a portas fechadas e focou na condenação de Zambelli por contratar um hacker para inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão surpreendeu tanto os advogados de Zambelli quanto o representante da Advocacia-Geral da União (AGU) na Itália. O advogado Fabio Pagnozzi, que defende a ex-deputada no Brasil, afirmou à CNN Brasil que a decisão foi “uma surpresa muito boa”. Já Enrico Giarda, representante da AGU, classificou o resultado como “inesperado”.
A Justiça italiana ainda não divulgou os motivos da decisão. Segundo a AGU, a justificativa pode levar até 15 dias para ser publicada. Porém, há indicações de que as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia), para onde Zambelli seria transferida, pesaram na decisão.
Zambelli foi condenada pelo STF em dois processos distintos. No primeiro, recebeu sentença de dez anos de prisão por contratar um hacker para forjar documentos contra o ministro Moraes. No segundo, foi condenada a cinco anos e três meses por sacar uma arma e perseguir um homem nas ruas de São Paulo, na véspera da eleição presidencial de 2022.
Ainda existe um segundo processo de extradição em andamento na Itália, relacionado ao porte ilegal de arma. Se a Justiça italiana decidir pela extradição neste caso, a palavra final caberá ao ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, que terá 45 dias para tomar uma decisão. Se autorizar a extradição, o governo brasileiro teria 20 dias para organizar o retorno de Zambelli ao país.
A defesa da ex-deputada argumentou que o processo no Brasil possui vícios processuais e questionou as condições das prisões brasileiras, incluindo a dimensão mínima das celas. Também alegou piora no estado de saúde de Zambelli durante o encarceramento.
Zambelli renunciou ao mandato de deputada federal em dezembro de 2025, após o STF anular uma sessão da Câmara que havia votado pela manutenção de seu mandato.
Destaques do Conhecimento
- Corte de Cassação de Roma nega extradição de Carla Zambelli para o Brasil em primeira instância
- Ex-deputada paulista deixa prisão após quase dez meses detida na Itália
- Decisão surpreendeu tanto a defesa quanto o governo brasileiro
- Ainda existe segundo processo de extradição em andamento relacionado a porte ilegal de arma
- Justificativa da decisão pode levar até 15 dias para ser divulgada pela Justiça italiana
Fonte original: UOL | Adaptação: Equipe Perus Online







































