Após operação contra a Refit, setor de combustíveis cobra nova lei no Congresso
Operação Poço de Lobato reacende cobrança pela votação do PLP 125/2022, que define o devedor contumaz
27/11/2025 | 15h43
Por Cleber Lourenço
A Operação Poço de Lobato, deflagrada nesta quinta-feira (27) pela Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Ministério Público e forças policiais de vários estados, ampliou a pressão do setor de combustíveis sobre o Congresso.
O Instituto Combustível Legal declarou que a ação confirma, de forma “inequívoca”, a necessidade de votação imediata do PLP 125/2022, projeto que define o devedor contumaz e está parado na Câmara à espera da indicação de um relator.
Segundo o Instituto Combustível Legal, a operação mira um grupo que representa “a consolidação de um modelo de negócio baseado na fraude”, operando a partir de uma estrutura que movimenta mais de R$ 70 bilhões por ano, acumula R$ 26 bilhões em dívidas e utiliza offshores, fundos exclusivos, importadoras irregulares e sucessivas aberturas de CNPJs para blindagem patrimonial.
A ação cumpriu 126 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Distrito Federal. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 bilhões em bens.
As investigações apontam a repetição dos mesmos métodos identificados em operações anteriores — como Carbono Oculto e Cadeia de Carbono — envolvendo manipulação tributária, simulações de operações interestaduais e uso de interpostas pessoas.
Na nota divulgada à imprensa, o Instituto Combustível Legal destacou que o país vem permitindo que “a sonegação e o não pagamento de impostos se tornem estratégia de negócios”, e que a falta de definição legal sobre o devedor contumaz tem funcionado como porta de entrada para o crime organizado no mercado formal.
A entidade afirma que o PLP 125/2022 estabelece ferramentas claras para separar o contribuinte comum do sonegador profissional e permite ação rápida do Estado para desmantelar esquemas antes que eles se consolidem.
“O bloqueio de R$ 10 bilhões em bens e a identificação de redes financeiras internacionais demonstram que não estamos diante de inadimplência comum, mas de fraude deliberada praticada de forma reiterada, com impacto profundo sobre arrecadação, preços ao consumidor e concorrência leal”, afirma o instituto.
Disputas no Congresso
A pressão do setor chega ao Congresso em meio a disputas por relatorias e prioridades na pauta econômica. Parlamentares ouvidos pela reportagem afirmam que a operação deve impulsionar a discussão do PLP 125/2022, especialmente porque as investigações atingem empresas historicamente apontadas como responsáveis por desequilíbrios tributários e distorção da concorrência.
A ausência de definição legal sobre o devedor contumaz é vista por especialistas como uma brecha que sustenta a atuação desses grupos.
Relator já foi definido
Pessoas próximas ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmaram à reportagem que a definição do relator do PLP 125/2022 já foi feita e deve ser anunciada ainda em dezembro.
A expectativa é de que, com o avanço da pauta econômica e a repercussão da Operação Poço de Lobato, a escolha seja formalizada, liberando o caminho para que o projeto seja levado ao plenário.
Operação Poço de Lobato reacende cobrança pela votação do PLP 125/2022, que define o devedor contumaz
27/11/2025 | 15h43
Por Cleber Lourenço
A Operação Poço de Lobato, deflagrada nesta quinta-feira (27) pela Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Ministério Público e forças policiais de vários estados, ampliou a pressão do setor de combustíveis sobre o Congresso.
O Instituto Combustível Legal declarou que a ação confirma, de forma “inequívoca”, a necessidade de votação imediata do PLP 125/2022, projeto que define o devedor contumaz e está parado na Câmara à espera da indicação de um relator.
Segundo o Instituto Combustível Legal, a operação mira um grupo que representa “a consolidação de um modelo de negócio baseado na fraude”, operando a partir de uma estrutura que movimenta mais de R$ 70 bilhões por ano, acumula R$ 26 bilhões em dívidas e utiliza offshores, fundos exclusivos, importadoras irregulares e sucessivas aberturas de CNPJs para blindagem patrimonial.
A ação cumpriu 126 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Distrito Federal. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 bilhões em bens.
As investigações apontam a repetição dos mesmos métodos identificados em operações anteriores — como Carbono Oculto e Cadeia de Carbono — envolvendo manipulação tributária, simulações de operações interestaduais e uso de interpostas pessoas.
Na nota divulgada à imprensa, o Instituto Combustível Legal destacou que o país vem permitindo que “a sonegação e o não pagamento de impostos se tornem estratégia de negócios”, e que a falta de definição legal sobre o devedor contumaz tem funcionado como porta de entrada para o crime organizado no mercado formal.
A entidade afirma que o PLP 125/2022 estabelece ferramentas claras para separar o contribuinte comum do sonegador profissional e permite ação rápida do Estado para desmantelar esquemas antes que eles se consolidem.
“O bloqueio de R$ 10 bilhões em bens e a identificação de redes financeiras internacionais demonstram que não estamos diante de inadimplência comum, mas de fraude deliberada praticada de forma reiterada, com impacto profundo sobre arrecadação, preços ao consumidor e concorrência leal”, afirma o instituto.
Disputas no Congresso
A pressão do setor chega ao Congresso em meio a disputas por relatorias e prioridades na pauta econômica. Parlamentares ouvidos pela reportagem afirmam que a operação deve impulsionar a discussão do PLP 125/2022, especialmente porque as investigações atingem empresas historicamente apontadas como responsáveis por desequilíbrios tributários e distorção da concorrência.
A ausência de definição legal sobre o devedor contumaz é vista por especialistas como uma brecha que sustenta a atuação desses grupos.
Relator já foi definido
Pessoas próximas ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmaram à reportagem que a definição do relator do PLP 125/2022 já foi feita e deve ser anunciada ainda em dezembro.
A expectativa é de que, com o avanço da pauta econômica e a repercussão da Operação Poço de Lobato, a escolha seja formalizada, liberando o caminho para que o projeto seja levado ao plenário.








































