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Maioria dos paulistas apoia combate ao crime organizado, mas rejeita interferência dos EUA

Pesquisa Datafolha mostra que 59% dos brasileiros apoiam classificação de PCC e CV como terroristas, enquanto 74% rejeitam ação americana em solo nacional. Em São Paulo, a pressão do crime organizado afeta rotina de moradores e pode pautar eleições 2026.

A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas encontrou respaldo de 59% dos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira. Ao mesmo tempo, três em cada quatro brasileiros (74%) rejeitam a possibilidade de os EUA atuarem contra integrantes dessas facções em território nacional sem autorização do governo.

O aparente paradoxo revela menos uma adesão à política externa americana do que um retrato da pressão exercida pela violência organizada sobre a vida cotidiana dos brasileiros. Para quem vive em São Paulo e na Zona Noroeste, a realidade é ainda mais próxima: o PCC está presente em 24 estados e conta com 42 mil membros, sendo 13 mil apenas em São Paulo. A facção financia suas operações através do tráfico de drogas, roubo de cargas, assaltos a bancos e sequestro, faturando aproximadamente R$ 5,6 bilhões por ano.

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Operações contra o crime organizado intensificam-se em todo o país. Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

O problema da segurança e da criminalidade é considerado o maior do país para 16% dos brasileiros, atrás apenas de saúde (20%) e à frente da economia (11%). Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de maio passado apontou que 41% da população brasileira vive em áreas onde percebe influência do crime organizado.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 17 e 18 de junho, em 139 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No total, 83% dos brasileiros afirmam ter conhecimento da nova classificação dos EUA para as duas maiores facções do crime organizado no Brasil.

Para o sociólogo Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o apoio à classificação das facções como terroristas expressa “um grito de socorro de uma população que teve suas vidas sequestradas e rotinas alteradas pela atuação de facções”. É o sentimento de que ao menos alguma coisa está sendo feita.

A percepção sobre a real intenção do governo Donald Trump com a classificação está polarizada. Enquanto 50% concordam que os Estados Unidos querem combater as facções para “ajudar a população brasileira”, praticamente a mesma proporção (47%) afirma que Washington usa o problema como “desculpa para mandar no Brasil”.

A crença na mão amiga norte-americana é maior entre quem prefere o PL (81%) e declara voto em Flávio Bolsonaro (77%). Já a suspeita de que a classificação é subterfúgio para ingerência dos EUA no país é maior entre quem prefere o PT (69%) e declara voto em Lula (63%).

Por outro lado, a ideia de ameaça concreta à soberania nacional rompe essas fronteiras políticas, e 74% discordam que os EUA tenham o direito de atacar integrantes de facções dentro do Brasil sem avisar o governo brasileiro. A pesquisa mostra que 54% avaliam que Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, teve influência na decisão americana. Entre esses entrevistados, 57% consideram que essa influência foi negativa para o Brasil, enquanto 37% dizem que foi positiva.

Destaques do Conhecimento

  • 59% dos brasileiros apoiam a classificação de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA
  • 74% dos brasileiros rejeitam ações militares americanas em solo nacional sem autorização do governo
  • 41% da população brasileira vive em áreas com influência percebida do crime organizado
  • O PCC está presente em 24 estados e conta com 13 mil membros apenas em São Paulo
  • Segurança e criminalidade é o maior problema do país para 16% dos brasileiros
  • A polarização política marca as interpretações sobre as intenções dos EUA com a classificação

Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online