Paulinho recusa ser executivo mais bem pago do mundo e escolhe Mirassol: lição de caráter para São Paulo
Resumo: Ídolo do Corinthians e ex-jogador da Seleção Brasileira recusou proposta milionária do Cerro Porteño para permanecer no Mirassol, revelando desilusão com pessoas do futebol e emoção ao falar sobre Tite. Sua decisão reforça valores que faltam no esporte e na região.
Paulinho, um dos maiores ídolos da história do Corinthians e campeão da Libertadores em 2012, fez uma escolha que surpreendeu o futebol brasileiro. Após receber uma proposta para ser o executivo de futebol mais bem remunerado do mundo, vindo do Cerro Porteño do Paraguai, o ex-volante optou por permanecer no Mirassol, onde trabalha como coordenador técnico e executivo de futebol. A decisão, tomada há poucos meses, revela muito sobre os valores que ainda existem no futebol profissional e oferece uma lição importante para moradores de São Paulo e Perus que acompanham o esporte.
Em entrevista exclusiva ao programa Abre Aspas do ge, Paulinho se emocionou ao detalhar os motivos que o levaram a recusar a oportunidade financeira. O ex-jogador explicou que, apesar da tentação, a decisão foi tomada em família, analisando o projeto do Mirassol e o que realmente importa na vida. “Você senta com a família, pensa, analisa, pergunta para as pessoas que são próximas dessa instituição que queria me levar e você vai colocando, encaixando as pecinhas e vê o que você quer da vida”, revelou.
A trajetória de Paulinho no futebol é marcada por conquistas internacionais. Jogou pelo Barcelona ao lado de Messi, conquistou títulos na China e representou a Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo. Porém, sua reinvenção como executivo de futebol no Mirassol representa um novo capítulo em sua carreira, focado em gestão e desenvolvimento de pessoas. Essa mudança de perspectiva é particularmente relevante para a região de Perus e São Paulo, onde valores como lealdade e compromisso com projetos de longo prazo são cada vez mais raros.
Durante a entrevista, Paulinho também se emocionou ao falar sobre sua relação com o técnico Tite, seu companheiro nos tempos de glória do Corinthians. O ex-volante revelou que participou ativamente das negociações para trazer Tite ao clube em 2025, e lamentou a forma como as pessoas julgam situações sem conhecer os detalhes. “As pessoas julgam sem saber. Depois que passa e é esclarecido, já foi”, disse entre lágrimas, destacando a falta de respeito que o futebol muitas vezes demonstra com seus profissionais.
Paulinho também expressou sua desilusão com aspectos do futebol profissional. Segundo ele, a falta de respeito e incoerência de pessoas ligadas ao esporte o desanimou duas vezes a buscar ser o melhor executivo do mundo. “O futebol me desanimou duas vezes, mas não a ponto de parar de trabalhar. Desanimou de pensar se vale a pena ser o melhor do mundo”, confessou. Essa reflexão é importante para quem trabalha em São Paulo e região, onde a pressão por resultados imediatos frequentemente sobrepõe valores éticos e humanos.
No Mirassol, Paulinho trabalha diariamente com mais de 30 ou 40 tarefas para resolver, mantendo comunicação entre departamentos e garantindo que informações cheguem ao técnico Rafael Guanaes. Sua abordagem é focada em cuidar das pessoas, tanto atletas quanto colaboradores. “O que realmente eu sou apaixonado é de cuidar das pessoas. Então, o cuidar faz, em alguns momentos, você tomar uma decisão específica para aquela pessoa ou para aquele departamento”, explicou.
A história de Paulinho também toca em temas importantes para a sociedade brasileira. Ele criticou a falta de representatividade de negros em cargos de técnico e executivo no futebol, afirmando que continua falando sobre o assunto sem ver mudanças concretas. “Se a gente for avaliar um profissional pela cor, está errado. Eu já passei por isso e já cansei de falar sobre isso”, disse, reforçando a necessidade de ações das autoridades competentes.
Paulinho também abordou temas contemporâneos como saúde mental no futebol, a influência das redes sociais e apostas esportivas. Para ele, é fundamental que os atletas tenham descanso adequado e que a saúde mental seja prioridade. “Todo ser humano precisa descansar. Todo ser humano precisa de um descanso, porque fica uma coisa surreal o futebol”, afirmou, lembrando que o futebol consome completamente quem trabalha com ele.
Destaques da Matéria
- Paulinho recusou proposta para ser o executivo de futebol mais bem pago do mundo do Cerro Porteño, optando por permanecer no Mirassol
- Ex-ídolo do Corinthians se emocionou ao falar sobre Tite e revelou desilusão com falta de respeito no futebol profissional
- Sua abordagem como executivo prioriza cuidado com pessoas e comunicação respeitosa, diferente da cultura de pressão extrema
- Paulinho critica falta de representatividade de negros em cargos de gestão e técnico no futebol brasileiro
Conteúdo original: ge.globo | Adaptação: Perus Online
Caption: Paulinho em entrevista ao programa Abre Aspas, onde revelou sua decisão de recusar proposta milionária e permanecer no Mirassol, reafirmando seus valores e compromisso com o projeto do clube.






































