A Transunião, empresa que opera 50 linhas de ônibus na Zona Leste de São Paulo e transporta 262 mil passageiros diariamente, foi alvo de operação que investiga esquema de lavagem de dinheiro do PCC. Apenas no primeiro semestre de 2026, a viação recebeu R$ 180 milhões em subsídios públicos, segundo investigação do Ministério Público.
Nesta quinta-feira (25 de junho), a Polícia Civil e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) deflagraram a Operação Última Parada. Foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e 103 de busca e apreensão. Entre os presos estão o vereador Senival Moura (PT), apontado como controlador real da empresa, e Jair Ramos de Freitas (“Cachorrão”), diretor informal da Transunião.
O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, explicou que a empresa é um exemplo claro de como o crime organizado se infiltra na economia formal e nos Poderes do Estado. “É uma empresa cuja direção foi capturada pelo PCC, e também com um braço dentro do Poder Legislativo municipal”, afirmou em coletiva de imprensa.
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Segundo a investigação, a Transunião funcionava com um núcleo paralelo que tomava decisões operacionais e autorizava transferências de grandes valores para criminosos ligados ao PCC. O capital social da empresa saltou fraudulentamente de R$ 100 mil para R$ 50 milhões, permitindo que vencesse licitações da Prefeitura de São Paulo.
O delegado Ronaldo Sayeg, do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), detalhou o esquema: “Realizavam aumento patrimonial fictício da empresa com dinheiro do crime organizado. Depois, por meio de adiantamento de despesas, esse dinheiro fluía para empresas do grupo e retornava aos criminosos após lavagem”.
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A investigação começou após o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião, em 2020. Documentos do PCC revelaram que Adauto e Senival foram condenados à morte por supostos desvios de valores. Senival foi “perdoado” pela facção devido à sua influência política e capacidade de ressarcir prejuízos.
Após o crime, o PCC nomeou Lourival de França Monário (“Orelha”) como presidente e Jair Ramos de Freitas como diretor. Segundo investigadores, Jair é apontado como executor dos disparos que mataram Adauto. Lourival está foragido em Roma, na Itália, e seu nome será incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
A Justiça determinou bloqueios milionários: R$ 194 milhões em contas bancárias, 117 veículos, 21 imóveis e 3 embarcações foram sequestrados. Todos os diretores e administradores da Transunião foram afastados imediatamente.
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O prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou que acompanha os desdobramentos e pretende fazer intervenção na Transunião. A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) garantiu que os ônibus continuam circulando normalmente nas 50 linhas operadas pela empresa, sem prejuízo ao atendimento dos 262 mil passageiros diários.
A operação consolida ações recentes contra infiltração de facções em contratos públicos. Em 2024, o Gaeco deflagrou a Operação Fim da Linha, que desarticulou esquemas similares nas empresas Upbus e Transwolff, que juntas transportavam 700 mil passageiros diários e receberam mais de R$ 800 milhões em 2023.
Destaques do Conhecimento
- Transunião recebeu R$ 180 milhões em subsídios públicos apenas no primeiro semestre de 2026
- Operação Última Parada cumpriu 5 mandados de prisão temporária e 103 de busca e apreensão
- Empresa opera 50 linhas na Zona Leste e transporta 262 mil passageiros diariamente
- Capital social da empresa foi inflado fraudulentamente de R$ 100 mil para R$ 50 milhões
- Bloqueio de R$ 194 milhões em contas, 117 veículos, 21 imóveis e 3 embarcações
- Investigação começou após assassinato de ex-presidente em 2020
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online




































