Operação do Ministério Público desmantelou rede financeira clandestina ligada ao PCC que movimentava milhões em dinheiro ilícito, pagava policiais e resolvia disputas através do ‘tribunal do crime’. Treze pessoas foram presas e R$ 10 milhões bloqueados.
Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelou como empresários e operadores financeiros utilizavam a facção criminosa para lavar dinheiro, corromper agentes públicos e resolver conflitos particulares. A Operação Janus, deflagrada na terça-feira (21), interceptou mensagens e áudios que expõem a estrutura sofisticada dessa rede ilícita que funcionava como o “banco” do Primeiro Comando da Capital (PCC).
As conversas mostram que o grupo acionava o chamado “tribunal do crime” para solucionar uma disputa envolvendo um imóvel de luxo avaliado em R$ 2 milhões na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista. Em vez de recorrer ao Judiciário, os envolvidos buscaram a mediação da facção, demonstrando a submissão voluntária às regras da organização criminosa.
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As mensagens interceptadas revelam frases incriminadoras. Em uma conversa de maio de 2023, um dos investigados afirma: “Agora vou armar com um monte de irmão e no dia nós encostamos lá e quem vai conduzir vai ser o comando.” Outra mensagem mostra pedidos diretos de dinheiro para “pagar a polícia”, com valores específicos mencionados para diferentes unidades policiais.
A investigação também localizou um áudio de julho de 2025 em que um dos investigados solicita R$ 100 mil em espécie para um cliente que precisava “pagar os polícia do Deic”. Segundo o Ministério Público, esses registros reforçam a suspeita de corrupção sistemática de agentes públicos para proteger a estrutura financeira do grupo.
O esquema de lavagem de dinheiro operava através de criptomoedas, contas bancárias blindadas e uma rede de empresas de fachada. Um dos investigados descrevia o “banco” como capaz de movimentar recursos de qualquer origem: “Tem a criptomoeda… e tem a pirâmide né… e o dinheiro dos caras das drogas… pra mim ele pode fazer até dinheiro de avião de jato, de foguete.”
A operação também identificou a participação de uma contadora que recebia R$ 70 mil mensais para trabalhar exclusivamente para o grupo, auxiliando na ocultação patrimonial e na manutenção da estrutura financeira utilizada para lavar recursos ilícitos.
Segundo a investigação, há proximidade entre integrantes do grupo e oficiais de alta patente da Polícia Militar. Um coronel da PM participava de um grupo de WhatsApp chamado “Aniversário General” ao lado de investigados, e mensagens mostram que se colocava à disposição para ajudar e intermediar contatos com outras autoridades.
A Justiça expediu 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de até R$ 10 milhões em bens e contas dos investigados. O Ministério Público não localizou a defesa dos citados até a última atualização da reportagem original.
Destaques do Conhecimento
- Operação Janus desmantelou rede financeira clandestina ligada ao PCC com 13 prisões e R$ 10 milhões bloqueados
- Mensagens interceptadas mostram uso do “tribunal do crime” para resolver disputa de R$ 2 milhões por imóvel de luxo
- Investigação revela pagamentos sistemáticos de propinas a policiais civis e militares, incluindo pedido de R$ 100 mil em espécie
- Estrutura sofisticada de lavagem de dinheiro operava com criptomoedas, contas blindadas e empresas de fachada
- Coronel da PM participava de grupo de WhatsApp com investigados e intermediava contatos com outras autoridades
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online





































