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Operação Vectura Corrupta: PCC infiltrado no transporte de SP; ex-presidente da SPTrans preso

Operação da Polícia Civil prende ex-presidente da SPTrans e investiga ex-vereador Milton Leite por possível infiltração do PCC no sistema de ônibus de São Paulo. Decisões sobre empresas de transporte suspeitas dependeriam de aprovação política do ex-presidente da Câmara.

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira (17) a Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo. A ação resultou na prisão de Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e na busca por Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, considerado foragido após não ser encontrado em sua residência.

Segundo investigadores, Milton Leite teria papel central nas decisões estratégicas relacionadas a empresas de transporte suspeitas de ligação com a facção. A conclusão foi sustentada pela análise de interceptações envolvendo operadores e elementos de outras investigações que apontam seu papel decisório. No pedido que embasou a operação, Leite é citado como responsável direto pela operação de algumas das empresas que, conforme a investigação, seriam controladas pelo PCC.

A operação cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. O impacto direto na mobilidade da capital é monitorado: o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que não há risco de interrupção do serviço de ônibus, já que a Transwolff (empresa investigada) está sob intervenção da Prefeitura desde 2024.

whatsapp-image-2025-01-01-at-15.06.01 Operação Vectura Corrupta: PCC infiltrado no transporte de SP; ex-presidente da SPTrans preso
Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara de SP — Foto: Paulo Gomes/TV Globo

A investigação identificou 12 empresas de transporte coletivo que seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC: Viação Transcap, Alfa Rodobus, Transwolff, A2 Transportes, Imperial Transportes, Move Bus, Pêssego Transportes, Allianz Transportes, Transunião, Qualibus Transportes, Norte Bus e Spencer Transportes. Parte dessas companhias já apareceu em investigações anteriores sobre a atuação da facção no setor.

Também foi preso Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e candidato a deputado estadual. Segundo a Polícia Civil, a investigação identificou um “forte vínculo” dele com integrantes do PCC e indícios de que sua campanha à prefeitura teria sido financiada pela organização criminosa.

A operação também investiga a chamada “Sintonia dos Gravatas”, núcleo formado por advogados que, segundo a polícia, atuaria diretamente em benefício da organização criminosa. Entre os investigados estão Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu. O principal investigado apontado nesta fase é José Daniel Satilite, conhecido como Alemão, que integra o PCC e funcionaria como intermediário entre empresários, advogados, políticos e integrantes da facção.

Milton Leite negou estar foragido. Em nota, afirmou que está viajando e que vai se apresentar às autoridades em até 24 horas. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, declarou o ex-vereador.

A defesa de Levi dos Santos Oliveira afirma que ele não tem antecedentes e construiu ao longo de décadas uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo. A defesa da Transwolff, por sua vez, nega que Milton Leite tenha tido qualquer participação societária na empresa ou que tenha participado da gestão.

Destaques do Conhecimento

  • Operação Vectura Corrupta investiga infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo de São Paulo com 16 mandados de prisão
  • Ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira foi preso; ex-vereador Milton Leite é considerado foragido
  • Investigação aponta 12 empresas de ônibus suspeitas de ligação com a facção criminosa
  • Prefeito Ricardo Nunes garante que não há risco de interrupção do serviço de ônibus na capital
  • Operação também investiga núcleo de advogados chamado “Sintonia dos Gravatas” que atuaria em benefício do PCC

Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online