Senador do PL tenta construir imagem moderada, mas fala sobre urnas eletrônicas o expõe como bolsonarista radical. Governo e centrão veem erro estratégico que mina campanha presidencial.
Flávio Bolsonaro cometeu um erro de cálculo político ao repetir informações falsas sobre as urnas eletrônicas em reunião com diplomatas estrangeiros. A declaração, feita na terça-feira (21), desmantelou meses de tentativa de construir uma imagem de moderação e afastou possíveis aliados do centrão que viam nele uma alternativa menos radical ao pai.
O governo Lula e lideranças do centrão apontam que o senador do PL cometeu erro estratégico ao trazer à tona um assunto considerado “página virada” pela maioria dos políticos. O PT, por sua vez, afirma que a fala comprova que Flávio é um “bolsonarista raiz” com “cultura golpista” e avalia acionar a Justiça contra o pré-candidato à Presidência.

Desde que anunciou sua pré-candidatura em dezembro de 2025, Flávio tentava se diferenciar do pai, apostando em um discurso mais moderado para recuperar eleitores do centro. A estratégia era simples: sem os mesmos ataques às instituições que marcaram Jair Bolsonaro, ele poderia vencer Lula nas eleições de outubro. Mas essa narrativa desabou com a fala sobre as urnas.
O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, foi direto: “A tentativa de apresentar Flávio como um candidato moderado era uma estratégia fadada ao fracasso. Ele é o que é, um bolsonarista raiz, e como tal flerta com o golpismo, os ataques às instituições e com uma postura submissa, entreguista a interesses estrangeiros. A melhor definição de Flávio partiu de Donald Trump: Bolsonaro Júnior”.
No centrão, a reação foi de desapontamento. Integrantes de partidos como PP, União Brasil e Republicanos, que mantinham diálogo com Flávio, dizem que a declaração só não prejudicou uma aliança porque eles já tinham descartado uma adesão formal à candidatura do PL. Eles apontam que o senador não apenas voltou a um assunto considerado “derrotista” como assumiu um tom de pessimismo sobre as eleições.
O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) foi além e pediu ao TSE que retire Flávio da corrida eleitoral: “Acho que o TSE devia não deixar ele ser candidato. O cara não confia na urna eletrônica, como participa de um pleito que acha que não tem segurança?”.
A história se repete. Em 2022, Jair Bolsonaro reuniu embaixadores e atacou as urnas. O resultado foi uma condenação do TSE que o tornou inelegível por oito anos por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Agora, o filho segue o mesmo caminho.
Um interlocutor da pré-campanha de Flávio tentou minimizar o impacto, argumentando que nas “bolhas da direita” houve pouca atenção para o discurso. Mas reconheceu que a fala municiou influenciadores de esquerda para explorar o assunto nas redes sociais.
Destaques do Conhecimento
- Flávio Bolsonaro repetiu falsidades sobre urnas eletrônicas em reunião com diplomatas, minando sua estratégia de moderação política
- PT avalia acionar a Justiça contra o senador e o equipara ao pai em termos de “cultura golpista”
- Centrão afasta-se de Flávio após a fala, considerando-a um erro estratégico que transmite “derrotismo” sobre as eleições
- Histórico se repete: em 2022, Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE por atacar urnas em reunião com embaixadores
- Deputado petista pede ao TSE que retire Flávio da candidatura por desconfiar do sistema eleitoral
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online






































