Operação Carbono Oculto deflagrada nesta quinta (28/5) desmantelou rede de seis fintechs que funcionavam como bancos paralelos do PCC, movimentando R$ 26 bilhões em quatro anos através de esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
A Receita Federal identificou que as instituições de pagamento operavam com contas-bolsão centralizadas, dispersando recursos ilícitos e dificultando o rastreamento das operações. O esquema envolvia sonegação fiscal, blindagem patrimonial e adulteração de combustível com nafta, afetando diretamente a cadeia de abastecimento que alimenta postos de combustíveis na Grande São Paulo, incluindo a Zona Noroeste.
Entre 2022 e 2025, uma única instituição investigada recebeu depósitos de mais de R$ 1 bilhão em espécie. As operações mantinham contas abertas em outras instituições bancárias, criando dupla camada de ocultação. Estima-se que as seis fintechs movimentaram cerca de R$ 8 bilhões apenas em 2025, conforme declarações entregues à Receita Federal.
O esquema utilizava estrutura de compensações financeiras entre distribuidoras, postos de combustíveis e fundos de investimento administrados pela organização criminosa. Pagamentos a colaboradores e investimentos pessoais dos operadores também transitavam por essas contas paralelas, alimentando o poderio econômico do PCC.
As investigações apontaram que as operações começaram a levantar suspeitas a partir de pagamentos em espécie, procedimento considerado estranho à natureza de uma instituição de pagamento. Também foram identificadas transações de pelo menos R$ 365 milhões em criptoativos das instituições investigadas com empresas suspeitas de lavagem de dinheiro para organizações criminosas.
A operação também desmantelou núcleo envolvido com desvio de nafta petroquímico para terminais e postos de combustível. Estrutura de falsidades incluía simulada venda de solventes para empresas-fantasma, com uso de laranjas, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para constituir pessoas jurídicas.
Destaques do Conhecimento
- Seis fintechs operavam como bancos paralelos do PCC, movimentando R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025
- Esquema incluía sonegação fiscal, blindagem patrimonial, lavagem de dinheiro e adulteração de combustível com nafta
- Foram cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em operação integrada envolvendo Receita Federal, MPSP, ANP, Secretaria da Fazenda e polícias Civil e Militar
- Até 2025, instituições de pagamento não eram obrigadas a apresentar e-Financeira, permitindo ocultação de movimentações; após operação, mais de 450 instituições adicionais começaram a apresentar declaração
- Identificadas transações de R$ 365 milhões em criptoativos das instituições investigadas com empresas suspeitas de lavagem de dinheiro
Fonte original: Metrópoles São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online








































