Investigação da Polícia Civil de São Paulo desvendou um caso de feminicídio que choca a região do Brás, na capital paulista. Documentos recuperados pela perícia técnica comprovam que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto desbloqueou e manipulou o celular da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, minutos após disparar contra ela na manhã de 18 de fevereiro. As mensagens apagadas, posteriormente recuperadas pelos investigadores, revelam uma mulher determinada a se separar, contrariando completamente a narrativa do acusado que afirma ter sido rejeitado pela vítima.
O intervalo crítico entre o disparo e a manipulação do aparelho celular é considerado fundamental pela polícia. Neste período de poucos minutos, conversas cruciais foram deletadas do dispositivo. Porém, a perícia conseguiu recuperar os diálogos através de técnicas avançadas de análise forense. Uma das mensagens mais impactantes, enviada na noite anterior ao crime, mostra Gisele confrontando o marido sobre seu comportamento controlador. “Você confundiu carinho com autoridade, amor com obediência”, escreveu a vítima, demonstrando clareza sobre a dinâmica tóxica do relacionamento.
A comunicação entre o casal revela um padrão de desrespeito e tensão constante. Gisele não apenas aceitava a separação como a desejava ativamente. Em resposta direta às tentativas de reconciliação do oficial, ela foi categórica: “Tem todo o direito de pedir o divórcio. Pode entrar com o pedido essa semana”. Esta frase, recuperada pela perícia, destrói a tese de defesa que sustenta que a policial militar teria se matado por não aceitar o fim do casamento.
A linha do tempo dos eventos é devastadora para a versão do acusado. Gisele enviou suas últimas mensagens entre 22h47 e 23h do dia 17 de fevereiro. Aproximadamente oito horas e meia depois, ela foi baleada na cabeça dentro do apartamento que compartilhava com Geraldo Neto no bairro do Brás. Apesar de ter sido socorrida com vida, a policial faleceu horas depois no Hospital das Clínicas.
O comportamento do oficial após o disparo também levanta suspeitas graves. Houve demora no acionamento do socorro e movimentações consideradas incompatíveis com a preservação da cena do crime. Somadas ao apagamento seletivo das conversas, estas ações reforçam a investigação de interferência nos vestígios e ocultação de provas. A Polícia Civil aponta que o acusado tentou construir uma narrativa falsa deletando as mensagens que comprovavam a disposição de Gisele em se separar.
Inicialmente registrado como suicídio, o caso mudou de rumo rapidamente com o avanço das investigações. No mesmo dia da morte, passou a ser investigado como morte suspeita. Um mês depois, Geraldo Neto foi indiciado por feminicídio e fraude processual. O oficial segue preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, negando o crime e mantendo a versão de que a esposa tirou a própria vida.
As evidências periciais, contradições nos depoimentos e o conteúdo das mensagens recuperadas formam um conjunto robusto de provas que sustentam a acusação de feminicídio. A frase “pode pedir” desmonta completamente a narrativa inicial do acusado sobre Gisele negar a separação. Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior, que relatou à avó sentir medo do tenente-coronel, descrevendo-o como “bravo” com a mãe.
Destaques do Conhecimento
- Perícia recuperou mensagens apagadas que comprovam que Gisele desejava se separar do coronel
- Celular da vítima foi desbloqueado e manipulado minutos após o disparo, indicando tentativa de ocultação de provas
- Mensagens mostram relacionamento marcado por controle, desrespeito e tensão constante
- Caso foi reclassificado de suicídio para feminicídio com base em evidências periciais e contradições
- Tenente-coronel segue preso preventivamente negando o crime
Fonte original: Metrópoles | Adaptação: Perus Online
Caption: Casal em foto de casamento – Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e PM Gisele Alves Santana. Investigação revela que oficial manipulou celular da esposa minutos após disparar contra ela, tentando ocultar mensagens que comprovavam sua intenção de se separar.







































