A educação está mudando a vida de jovens paulistas. Quem estuda mais consegue ganhar melhor e sair do desemprego, mas a diferença de salário entre jovens e adultos ainda é grande.
Jovens entre 18 e 29 anos estão em melhor situação no mercado de trabalho do que há alguns anos. A renda média mensal subiu para R$ 2.593 no segundo trimestre de 2026, e o desemprego caiu para 9,2%. Mas quando se compara com profissionais mais velhos, a realidade é diferente: ganham 37,8% menos que adultos de 30 a 59 anos, que recebem em média R$ 4.167.
Para quem vive em Perus, Anhanguera ou Jaraguá, essa notícia tem reflexo direto no bolso. Muitos jovens da região conseguem seu primeiro emprego graças à melhora na educação. O percentual de pessoas de 18 a 29 anos com ensino superior completo cresceu de 11% em 2012 para 16,8% em 2026. Quem não tinha instrução ou tinha apenas ensino fundamental incompleto era 17,6% em 2012 e caiu para 5,6% agora.

Maria Rita Meira, 22 anos, é um exemplo dessa transformação. Ela estuda publicidade e conseguiu seu primeiro emprego há quatro meses em uma agência. Moradora da zona sul de São Paulo, ela contou com apoio de um projeto social para conseguir a oportunidade. “A gente vem de comunidade, e é difícil as pessoas olharem para a gente”, conta Maria Rita. “Estou contente, estou curtindo.”
Outro caso é o de Thaina Silva, 25 anos, que mora em São Paulo. Ela deixou o trabalho como cuidadora de idosos durante uma gravidez de risco e começou a vender bolos de pote e cachorro-quente de casa. Cursos de cozinha e finanças do Instituto Anchieta Grajaú (IAG) ajudaram no processo. Nove meses depois, ela abriu uma lanchonete em um ponto maior e formalizou o negócio. “Os cursos me deram um norte”, afirma Thaina. Agora ela estuda inglês para não precisar de tradutor.
A qualificação é a chave. Segundo pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV), sem a melhora educacional, a renda média dos jovens seria de R$ 2.381 por mês, cerca de 8% menor. A educação também ajudou a renda dos trabalhadores mais velhos a crescer.
Mas há desafios. A taxa de desemprego entre jovens (9,2%) é mais que o dobro da observada entre profissionais de 30 a 59 anos (3,8%). A informalidade também é maior: 37,4% dos jovens trabalham sem carteira assinada ou CNPJ, enquanto entre adultos esse índice é de 34,8%.
Os jovens costumam trabalhar em ocupações de menor produtividade e salários mais baixos. Os principais empregos são: balconistas e vendedores de lojas (1,7 milhão), escriturários gerais (1,5 milhão) e trabalhadores da construção (617,8 mil).
A inteligência artificial também é uma preocupação. Estudos mostram que a IA já está reduzindo empregos de entrada no mercado brasileiro, justamente os postos ocupados por jovens. “Se a garotada que não tem experiência não conseguir se adaptar a essas novas tecnologias, vai ser um problema, porque vai se sentir cada vez mais deixada para trás”, avalia Paulo Peruchetti, pesquisador da FGV.
Destaques do Conhecimento
- Renda média de jovens (18-29 anos) subiu para R$ 2.593 em 2026, mas ainda é 37,8% menor que a de adultos (30-59 anos)
- Desemprego entre jovens caiu para 9,2%, mas é mais que o dobro do índice entre profissionais mais velhos (3,8%)
- Educação superior entre jovens cresceu de 11% em 2012 para 16,8% em 2026, impulsionando ganhos salariais
- Inteligência artificial já reduz vagas de entrada no mercado, afetando principalmente jovens sem experiência
- Cursos de qualificação e projetos sociais são fundamentais para jovens da periferia conseguirem primeiro emprego
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online





































