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Ex-número 3 da Sefaz preso em operação contra esquema de propinas em SP

Autoridade da Fazenda de São Paulo é detida em operação do Ministério Público. Investigação aponta movimentações milionárias e ocultação de patrimônio em nome de familiares, com impactos na gestão tributária estadual.

André Weiss, que ocupava o cargo de diretor-geral executivo da Administração Tributária da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz-SP), foi preso nesta quinta-feira (3) durante a Operação Caldarium, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo. A ação investiga um esquema bilionário de pagamento de propinas envolvendo empresas dentro da secretaria.

A prisão de Weiss marca um novo capítulo na investigação que já havia resultado na detenção de outros auditores fiscais. O ex-número 3 da Sefaz é acusado de ter conhecimento do esquema de corrupção e de ter participado ativamente na estruturação de operações irregulares relacionadas a isenções tributárias.

Segundo a investigação, Weiss foi responsável por escolher o grupo técnico que revisaria as isenções do escândalo tributário envolvendo a Ultrafarma e a FastShop. Em 14 de agosto de 2025, ele nomeou oito fiscais para essa revisão, incluindo o fiscal Arthur Rafael Gatti Alvares, que também aparece envolvido em fraudes tributárias.

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Os ex-auditores fiscais investigados no esquema de propinas: Artur Gomes da Silva Neto (“Rei Artur”), Alberto Toshio Murakami (“Americano”) e Paulo Sérgio Siqueira do Prado

Weiss foi delatado pelo ex-auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como “PP”, que firmou acordo de delação premiada com o MP-SP. Segundo a colaboração, Weiss tinha conhecimento do esquema de propinas e participava das operações irregulares.

Áudios interceptados revelam conversas entre Weiss e outros envolvidos no esquema. Em uma delas, gravada em 27 de julho de 2023, Weiss expressa preocupação com a possibilidade de ser preso e alerta os demais participantes sobre a necessidade de não ostentarem os ganhos ilícitos. “Se eu comprar uma Mercedes… eu não vou comprar uma Mercedes seminova… 250 pau uma Mercedes, né… se você aparece na Delegacia, cara… isso aí vai sair no jornal”, afirmou na ocasião.

Os promotores apontam que as conversas evidenciam que a corrupção na Secretaria da Fazenda era uma prática disseminada entre os agentes fiscais, funcionando como um esquema estruturado e não como atos isolados.

A investigação também identificou movimentações bancárias atípicas e milionárias de Weiss em três instituições financeiras, incompatíveis com seu salário como servidor público. Os valores movimentados foram: aproximadamente R$ 1,6 milhão no Santander (dezembro de 2021), cerca de R$ 2,6 milhões no Banco do Brasil (maio de 2023) e superior a R$ 2,4 milhões na Caixa Econômica Federal (novembro de 2023).

Os promotores afirmam que essas cifras são manifestamente incompatíveis com os vencimentos de um servidor público e coerentes com o recebimento de propinas descritas na colaboração premiada, que apontam entrega de aproximadamente R$ 4,5 milhões “em mochilas”.

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Decreto publicado por André Weiss em 14 de agosto de 2025, nomeando os fiscais para revisão de processos de ressarcimento de ICMS

A investigação revela que Weiss utilizava interpostas pessoas para ocultar seu patrimônio. Bens e imóveis foram registrados em nome de sua esposa, Beatriz Sbrissa Lucafó, e de familiares. No nome de Beatriz, os promotores encontraram inúmeros imóveis milionários nas cidades de São Pedro, Piracicaba, Jundiaí e Rio das Pedras, no interior de São Paulo, alguns pagos em dinheiro em espécie.

Um aspecto particularmente suspeito da investigação envolve a herança do pai de André, Eugen Weiss. Um inventário encerrado em 17 de julho de 2023 aponta um valor de R$ 99,9 milhões em bens repassados ao herdeiro. Porém, os promotores questionam essa cifra, considerando-a manifestamente incompatível com o perfil do falecido, que foi engenheiro aposentado, pesquisador do IPT e escritor.

Os promotores indicam que o inventário foi superavaliado, funcionando como uma operação de lavagem de dinheiro para conferir origem aparentemente lícita a recursos de proveniência ilícita.

Destaques do Conhecimento

  • André Weiss, ex-número 3 da Sefaz-SP, foi preso na Operação Caldarium do Ministério Público de São Paulo
  • Investigação aponta movimentações milionárias em contas bancárias incompatíveis com salário de servidor público
  • Weiss foi responsável por escolher o grupo técnico que revisaria isenções do caso Ultrafarma e FastShop
  • Áudios interceptados revelam preocupação de Weiss com ostentação de bens e possibilidade de prisão
  • Patrimônio foi ocultado em nome de familiares, incluindo imóveis milionários no interior de SP
  • Herança do pai avaliada em R$ 99,9 milhões é questionada como possível operação de lavagem de dinheiro

Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online