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Rota de Tráfico Humano: Como Brasileiros São Aliciados para Madagascar Após Fuga de Repressão no Camboja

Redes criminosas que operavam no Sudeste Asiático estão mudando de país. Após aumento da fiscalização no Camboja, organizações de tráfico humano passaram a enviar brasileiros para Madagascar, onde continuam forçando vítimas a participar de golpes virtuais.

Vinte e três brasileiros foram detidos em Madagascar na terça-feira (19 de agosto) após serem aliciados com falsas promessas de emprego. A descoberta revela uma mudança estratégica das redes criminosas: pulverizar operações para países menos monitorados, dificultando o rastreamento internacional.

Um paulistano de 27 anos, residente na Zona Noroeste de São Paulo, foi uma das vítimas. Desempregado e em busca de renda, ele encontrou em um grupo do Telegram uma oferta de trabalho no exterior com promessas de passagem, alimentação, moradia e treinamento. A proposta inicial era trabalhar em suporte de aplicativos. Ele chegou ao Camboja em meados de abril, mas logo teve seu passaporte recolhido.

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Sihanoukville, no litoral sul do Camboja, foi o primeiro destino dos brasileiros aliciados. Após aumento da repressão, as redes criminosas transferiram as operações para Madagascar.

Quando a situação começou a se complicar no Camboja, os responsáveis pela organização compraram passagens e transferiram os brasileiros para Madagascar. “Eles estavam fugindo da polícia, estavam sob investigação”, relata o paulistano. Em Madagascar, o grupo foi levado para um complexo onde descobriu a verdadeira natureza do trabalho: uma central de golpes virtuais.

Os trabalhadores precisavam passar de 10 a 12 horas por dia fazendo ligações para tentar obter dinheiro de vítimas. Havia metas, multas e punições. Os celulares eram recolhidos durante o expediente, e a circulação era controlada por policiais malgaxes armados. O paulistano relata ter sido agredido e ameaçado com armas durante a detenção.

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Contexto político instável em Madagascar facilitou a operação de redes criminosas. Militares tomaram o poder em outubro de 2025.

Segundo a ONG Exodus Road Brasil, que acompanha vítimas de tráfico, as redes criminosas passaram a se pulverizar para a África, Paraguai, Ucrânia, Armênia, Malásia e Emirados Árabes Unidos. A mudança ocorreu após o conflito entre Tailândia e Camboja em 2025 e o aumento da fiscalização policial nos complexos de golpes do Sudeste Asiático.

Para paulistanos da Zona Noroeste e região metropolitana, o alerta é urgente. O Ministério da Justiça registrou 84 vítimas brasileiras de tráfico internacional em 2025, com o Camboja sendo o principal destino (44 vítimas). Jovens com conhecimentos em informática são os principais alvos, recrutados por redes sociais com falsas promessas de emprego em “call centers” ou empresas de tecnologia.

O Itamaraty recomenda não aceitar ofertas de trabalho no Sudeste Asiático que prometam ganhos elevados, contratação rápida ou intermediação informal. Antes de aceitar qualquer oportunidade, é essencial confirmar a identidade de quem apresenta a proposta e verificar a existência da empresa.

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Grupo de brasileiros detidos em Madagascar após serem forçados a participar de golpes virtuais. Relatos indicam que policiais locais teriam vendido o grupo de volta para a organização criminosa.

Destaques do Conhecimento

  • Redes de tráfico humano estão mudando de país após aumento da repressão no Sudeste Asiático, agora operando em Madagascar, Paraguai, Ucrânia, Armênia, Malásia e Emirados Árabes Unidos.
  • Vítimas são aliciadas com falsas promessas de emprego em grupos do Telegram e redes sociais, com ofertas de salários altos, passagem, alimentação e moradia.
  • Após chegarem ao destino, passaportes são recolhidos e vítimas são forçadas a participar de golpes virtuais, trabalhando 10 a 12 horas por dia com metas e punições.
  • O Ministério da Justiça registrou 84 vítimas brasileiras de tráfico internacional em 2025, com o Camboja sendo o principal destino.
  • Denúncias de tráfico de pessoas podem ser feitas anonimamente pelo Disque 100, que funciona diariamente, inclusive aos fins de semana e feriados.

Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online