Receita Federal suspende CNPJs de 1.283 postos de combustível em operação nacional contra lavagem de dinheiro. Em São Paulo, força-tarefa lacra seis estabelecimentos clandestinos ligados a organizações criminosas investigadas na Operação Carbono Oculto.
A Operação Bomba Oculta, deflagrada nesta sexta-feira (28), marca um ano de investigações contínuas contra estruturas de lavagem de dinheiro que utilizavam postos de combustível como porta de entrada para recursos ilícitos. O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que a medida visa “asfixiar” financeiramente as organizações criminosas ao interromper um dos principais canais de captação de dinheiro sujo.
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A estratégia é simples, mas eficaz: sem CNPJ ativo, as empresas não conseguem emitir documentos fiscais, abrir contas bancárias ou movimentar recursos em fintechs. Isso força os criminosos a buscarem novas formas de colocar dinheiro ilícito no sistema financeiro, aumentando o risco de exposição aos órgãos de investigação.
Em São Paulo, a operação atingiu especialmente a Zona Norte, onde um dos postos-alvo funcionava na Marginal Tietê. O estabelecimento estava registrado em nome de Amine Mourad, irmã de Mohamad Mourad (conhecido como “Primo”), um dos principais investigados na Operação Carbono Oculto. Segundo os investigadores, o endereço registrado era diferente do local onde o posto funcionava, indicando estrutura de ocultação.
A força-tarefa envolveu órgãos federais e estaduais: Receita Federal, Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz-SP), Procuradoria-Geral do Estado (PGE-SP), Agência Nacional do Petróleo (ANP), Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e apoio da Polícia Civil. Em São Paulo, 910 postos tiveram inscrições estaduais suspensas: 682 já haviam sido atingidos anteriormente e 228 entraram na lista nesta sexta.
Todos os 1.283 CNPJs suspensos nacionalmente referem-se a postos que não possuem autorização de funcionamento da ANP. A maioria dos proprietários formais são “laranjas” — interpostas pessoas — enquanto os reais beneficiários são empresários ligados a organizações criminosas.
Segundo Barreirinhas, a investigação original revelou uma cadeia complexa que passava por importação, refino, distribuição, transporte e postos de combustível. Os recursos captados em espécie nos postos chegavam a contas concentradoras de fintechs e, posteriormente, eram direcionados a fundos de investimento usados na estrutura de lavagem de dinheiro.
O fechamento físico dos estabelecimentos começou por São Paulo e será ampliado para outros estados. A operação representa um passo significativo no combate ao financiamento do crime organizado e à corrupção de estruturas econômicas legítimas.
Destaques do Conhecimento
- Receita Federal suspende CNPJs de 1.283 postos de combustível em operação nacional contra lavagem de dinheiro
- Em São Paulo, seis postos clandestinos foram lacrados; 910 inscrições estaduais foram suspensas
- Sem CNPJ ativo, as empresas não conseguem emitir documentos, abrir contas bancárias ou movimentar recursos financeiros
- Operação Bomba Oculta marca um ano de investigações contínuas contra estruturas que utilizavam postos como porta de entrada para dinheiro ilícito
- Força-tarefa envolveu Receita Federal, Sefaz-SP, PGE-SP, ANP, PGFN e Polícia Civil
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online





































