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Falsos Médicos em Hospital de SP: Bombeiro Morre Após Atendimento Irregular e Filho Cobra Justiça

Dois falsos médicos atuaram por dois anos em hospital da zona leste de São Paulo, realizando mais de 2 mil atendimentos. Investigação aponta que pelo menos nove pacientes morreram após receberem cuidados inadequados, incluindo um bombeiro aposentado que faleceu dias após receber alta do suposto profissional.

A Operação Hipócrates II, deflagrada pela Polícia Civil, prendeu Marcos Phelipe de Barros, que se apresentava como o médico Nicolas Joseph della Matta. Seu comparsa, Mayke César Silva (que usava o nome Mike José do Nascimento Florentino), fugiu para o Chile e segue foragido. Ambos trabalhavam no pronto-socorro e pediatria do Hospital de Clínicas Jardim Helena, localizado na zona leste da capital paulista.

O músico Guilherme Lucena, filho de um dos pacientes falecidos, cobrou responsabilização dos envolvidos. Seu pai, um cabo da Polícia Militar aposentado, procurou o hospital com suspeita de dengue e foi atendido pelo falso médico. Após receber alta, o bombeiro acordou confuso com arritmia cardíaca dois dias depois. Quando retornou à unidade, foi novamente atendido pelo mesmo impostor, que determinou sua intubação. O paciente faleceu pouco depois.

Em depoimento ao programa Fantástico, Guilherme relatou o impacto emocional do caso: “Tiraram o meu herói de mim, tiraram a minha referência. Só quero justiça. Só quero que as pessoas responsáveis paguem por tudo que elas fizeram.”

A investigação revelou casos ainda mais graves. Em um deles, uma idosa precisou de ressuscitação cardíaca, mas um dos falsos médicos não sabia como realizá-la. A mulher teve parada cardíaca e morreu. Em outro episódio, uma paciente esperou oito horas por um exame; o IML concluiu que houve erro de procedimento e a vítima morreu de aneurisma na aorta.

Além dos atendimentos no hospital, Marcos Phelipe foi flagrado aplicando uma caneta emagrecedora (Mounjaro) em uma mulher na calçada do residencial Villagio di Verona, no Tatuapé. Vídeo obtido pelo UOL mostra o homem saindo do prédio, encontrando a paciente em um carro e aplicando o injetável em menos de dois minutos.

A Justiça determinou o afastamento da gestora operacional e do diretor clínico do hospital durante as investigações. A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária, com ações coordenadas em São Paulo, São Bernardo do Campo, Guarulhos, Poá e Mogi das Cruzes. Marcos Phelipe responde por falsidade ideológica, exercício ilegal da medicina e homicídio com dolo eventual.

Destaques do Conhecimento

  • Dois falsos médicos realizaram mais de 2 mil atendimentos em dois anos no Hospital Jardim Helena, zona leste de SP
  • Investigação aponta que pelo menos 9 pacientes morreram após receberem cuidados inadequados dos impostores
  • Marcos Phelipe de Barros foi preso; seu comparsa Mayke César Silva fugiu para o Chile e segue foragido
  • Um dos falsos médicos também aplicava medicamentos emagrecedores ilegalmente em pacientes na rua
  • Justiça afastou gestora operacional e diretor clínico do hospital durante investigações

Fonte original: UOL Cotidiano | Adaptação: Equipe Perus Online