O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu o uso de PMMA (polimetilmetacrilato) para fins estéticos em todo o Brasil. A decisão ocorre após morte de maquiadora em São Paulo que realizou preenchimento com a substância.
A resolução será publicada na próxima terça-feira, 2 de junho. O CFM já havia solicitado a proibição à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anteriormente, mas a morte da profissional paulista acelerou a decisão do órgão regulador.

A única exceção permitida é para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids, realizado exclusivamente em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e conforme protocolos do Ministério da Saúde.
O PMMA é um tipo de plástico utilizado como gel para preencher pequenas áreas nas camadas superficiais da pele. Embora tenha aplicações legítimas na medicina, seu uso estético apresenta riscos significativos que justificaram a proibição.
Impacto para Paulistanos e Zona Noroeste: Residentes de São Paulo, incluindo a região de Perus e Zona Noroeste, que realizaram procedimentos com PMMA devem procurar orientação médica imediata. Clínicas e profissionais que ofereciam esse serviço precisam se adequar à nova regulamentação.
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o PMMA pode causar reações de curto prazo, como inchaço local, processos inflamatórios, alergias e granulomas (inflamações causadas pelo sistema imunológico). Reações tardias podem surgir anos após a injeção.
A cirurgiã plástica Marcela Cammarota, membro do conselho científico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), explica que a substância exige microesferas de tamanho específico. Se muito pequenas, o corpo as rejeita; se muito grandes, causam inflamações crônicas.
Doses altas de PMMA podem levar à necrose, pois o plástico comprime vasos sanguíneos, causando morte celular. Infecções também são possíveis: bactérias da pele podem penetrar o organismo e se fixar no material, tornando antibióticos ineficazes.
A remoção do PMMA não é simples. O procedimento pode exigir retirada do próprio tecido infiltrado, causando lesões e deformidades permanentes.
Outros casos de morte relacionados ao PMMA foram registrados no Brasil. A influenciadora digital Aline Maria Ferreira da Silva morreu aos 33 anos em julho de 2024. A modelo Andressa Urach quase morreu em 2014 após usar PMMA e hidrogel, mas conseguiu se recuperar.
O presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, e a relatora da resolução, cirurgiã plástica Graziela Bonin, concederão entrevista coletiva na segunda-feira, 1º de junho, para detalhar a proibição.
Destaques do Conhecimento
- CFM proíbe uso de PMMA para fins estéticos em todo o Brasil a partir de 2 de junho de 2026
- Exceção permitida apenas para tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids em unidades SUS credenciadas
- PMMA pode causar reações inflamatórias crônicas, necrose, infecções e deformidades permanentes
- Remoção da substância é complexa e pode exigir retirada de tecido saudável
- Morte de maquiadora em São Paulo acelerou decisão do CFM sobre proibição
Fonte original: UOL Cotidiano | Adaptação: Equipe Perus Online






































